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Mostrando postagens de setembro, 2015

PORMA N° 2

O peso do sonhar afeta o cansaço que é a realidade. o real me atinge como um sonho. Acordo distante de mim.

IGNORÂNCIA

Escrevo porque não sei e escrevo porque quero ser. Não sei quem sou, não sei do que. Não sei se sou o que escrevo ou se sou a mortalha que ando querendo ser. Não sei. Sou o que escrevo? Ou escrevo o que ei de ser? Escrevo porque preciso preciso porque existo e existo porque escrevo. Reescrevo o que existo.

AGLOMERADO

No murmúrio dos automóveis, na fumaceira do povo, no bate-bate das rodovias, no toró das lágrimas, no chuveiro dos dias, na andança dos olhos preguiçosos, no vai-vem da euforia, na secura dos sorrisos, no correr dos ponteiros, na luz da aurora, no arco-íris da vitrola, nos versos repetidos, na fome por alma vivas, na multidão solta, a solidão batuca.

POEMA N° 1

Eu não quero viver neste redemoinho de doenças internas nem morar nestes catombos tontos que a alma desenha. Eu quero o lirismo que vive em teus pulmões floridos.

BAIRRO CANSADO

Os dias dormem no corre-corre da metrópole, eu tropeço no calçamento e tombo na avenida 9.

LA FATIGUE

Quero descansar na tua existência e chorar o fardo que é ter de sonhar.

ÂNSIA

Eu te amo porque te amo e não preciso de leis. Eu te amo porque te fascino, eu te amo porque você é delírio. Eu te amo porque preciso e te amo porque eu me diviso. Te amo porque você é longe, tão longe que não consigo te amar mais do que te amo. Eu te amo porque você é compasso e descompasso. Te amo porque você é metade inteiro, isolado, e exilado. Eu te amo porque você é poesia e esbanja euforia. Eu te amo porque você é ausência doença, presença, crença. Eu te amo porque te amo. Mas eu estou cansada e preciso ir. Adeus.

RESIDÊNCIA

Na residência da fadiga eu me fiz escrita.