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Mostrando postagens de 2019

dor forte. recordação

eu percebo o quanto você faz falta, vó. todo dia, toda semente, toda raiz. eu sinto falta do teu sorriso me esperando, me vendo chegar pra te dar um abraço. na área daquela casa, naquela cadeira de balanço que o som ainda ecoa aqui dentro. e tu ainda é música boa que ecoa longe.
eu tenho mania de me atracar muito às coisas. mesmo quando eu to de boa, quando eu to bem. amorosamente falando sabe, porra. solidão? talvez. mas eu gosto do momento e quero que ele fique ali, gosto do apego, gosto realmente da atenção, do calor que eu crio antecipadamente, das coisa que eu imagino e que são quentes. porque eu sou toda fogo. mas eu gosto. e às vezes eu fico assim, querendo mais, me apegando e querendo as coisa. me atracando nelas, como um navio no seu lugar. mas dá certo, eu volto ás ordens, boto minha cabeça nos canto. da certo. mas também né, o vinho faz descer as coisas com mais força e com mais intensidade.
cultivar a raiz de humildade
não sei lidar com essa tal da indiferença.

para você que faz falta e que ainda floresce aqui dentro

não gosto de me arrepender de coisas não ditas ou feitas. mas penso naquele ano e se eu pudesse voltar, voltaria, não deixaria aquela casa, não deixaria de deixar de ouvir seu boa noite todos os dias. pesa isso. pesa a perda. pesa a saudade, pesa a falta que teu cheiro faz. dói a falta de dormir ao teu lado ouvindo sua respiração. cresci e ainda consigo ver seus passos na rua, no verde do capim e nas flores perdidas. o mundo pesa, vó, pesa demais. te sinto aqui no meu peito e lembro da sua risada ao me ver chegando na rua, ao me ver falando das coisas banais que eu trazia para você sobre o meu dia. lembrar das suas mãos me faz bem, dos seus joelhos, dos seus pés que se banhavam em água quente antes de dormir. tenho uma fotografia sua no jardim plantada na minha alma terrena. ainda dói, mas a dor é suportável ao lembrar que cresci graças a sua vida, graças a seus anos que foram doloridos, anos que trouxeram muita vida pra muita gente e pra esse mundo. você foi um mar que banhou corpos q...
gosto de como esses anseios de escrita chegam até mim, sem pedir licença sai atropelando tudo o que ta me tomando no momento. se achegue assim que me faz mais viva.
tentando entender e me encaixando nesse fluxo contínuo de corres e fôlegos e ideias novas e rotinas novas e um eu em constante mudança a cada minuto a cada segundo a cada nova sabedoria e novo conhecer e esbarrar com outras pessoas e novos lugares que caminho e encontro, em cada cena que revejo e revisito em mim mesma e nos outros e em mil universos paralelos e conectados que existem e que se fazem.
desmotivação é uma praga que come você sem pena.
merda.
reconhecer o outro, a diferença. nenhuma dor diminui a outra.
não se deixar enganar pelo egoísmo. não se deixar enganar pelo egoísmo. não se deixar enganar pelo egoísmo. não se deixar enganar pelo egoísmo. não se deixar enganar pelo egoísmo.
arte por transformação.

aprender e se doar

gosto de me externar e me deixar escorrer com o apoio da caneta. sinto dores carregadas de uma menina que sentava no batente de casa esperando a mãe terminar de arrumar e varrer os quartos de hotéis, esperando um abraço cansado,  coberto de carinho e ternura. mas hoje olho meu reflexo e ele não causa tanto estranhamento, e não tem a mesma dor. nesse espelho abstrato eu enxergo o olhar cru e nu de poesia e raízes que venho construindo aos poucos. o reflexo não tem a mesma agonia de antes e meu corpo não corre pra se esconder atrás de muros. to fazendo pulsar isso tudo, gritando e rompendo nós, andando e me encontrando nesse mundo de sobrevivência e incertezas.
externar e pulsar. deixar ser.
é doloroso se acostumar com o mundo depois que você deixou ele
é preciso saber olhar o passado, sentir a raiz do que hoje brota em si. como uma planta, somos vida de uma semente pequenina que nasceu de solo forte.  é preciso olhar pras mãos e rugas que hoje abraçam, que um dia foram jovens e secas,  que sofreram e carregaram um peso nas costas pra te vestir uma peça de roupa e te dar de comer. a represa daquele rio sem fim segue forte, os sons que saem dali continuam graves e as padarias continuam lotadas às 5 horas da manhã numa avenida barulhenta. aquela rua mudou mas continua guardando um jardim no pé da calçada que coloria muita coisa e que tentava esconder traumas que hoje insistem em acordar. voltar é importante. cuidar de quem e do que te cuidou e seguir sem esquecer do quintal que te fez ser gente. 11/06/2019 

pausa

lide com os problemas que você gera por não enxergar e pensar direito. ser responsável pelo que acumulas e ter ciência dessa desorganização material e também interna. quero que você pense mais sobre o que estás fazendo em relação à essa bagunça e moinho e preguiça, essa última que muitas vezes parece ser uma pessoa que te puxa pelas mãos e as prendem, porque isso resulta em fossa. é bom ter esses choques de si, dos outros ou de desconhecidos, porque de uma conversa por mais superficial e insignificante que pareça, é arrecadado dela punhados de sabedoria escondida. o mundo devora e tu é só uma gotinha, o tempo é só uma gotinha também mas que num piscar vira enchente e correnteza braba que vai alagando aos pouquinhos sem se importar com o sono e com o cansaço emocional rotineiro que por vezes escancara e domina tudo sem pedir licença.

JULGAMENTO (série de sonhos e pesadelos) | 15/06/2019

corro, estou correndo muito, quase sem fôlego. estou em lugares diferentes, subindo em telhados, encontrando rostos que nunca antes havia visto, meio apagados. na primeira vez que esse sonho me ocorrei, o que me estava me perseguindo, correndo atrás de mim para me pegar eram pessoas próximas, eu as via, pessoas bastante conhecidas, apesar de não recordar-me agora especificamente quem realmente eram. nas eu corria, me sentia sendo julgada e uma sensação horrível e sufocante. corria, andava, parava, conversava, me molhava em algo que parecia ser uma mangueira solta, via vultos. mas então comecei a ouvir sirenes de viaturas, ao mesmo tempo em que esse lugar que eu estava, começava a ser infestado de policiais, vindos de todos os lugares. abastecidos de muitas armas. eu continuava a correr, subir em telhados, entrar em casas. era tudo muito rápido. via avenidas desconhecidas e sentia muito medo. acordei, um pouco sem fôlego, sentei na cama e revi todas aquelas imagens, repetidas vezes, atr...

o gosto sereno do que ficou

é preciso descansar dos devaneios e angústias que entram sem pedir licença e sem freio na casa dos vinte. tenho pensado ultimamente na carência que insisto em alimentar, na carne que anseio, nos arrepios que levo da vida e das pessoas, nos toques e conversas que quero viver. solidão é dura e insossa igual uma carne jogada no meio das moscas no quintal, derramada junto com o feijão podre. me cego e atropelo o que me vem na frente, sem freio, sem parar e analisar as mil problemáticas e inseguranças que podem estar escondidas querendo sair ou ficar. não é justo forçar esse entendimento, não é justo pro nosso interior, nem pra nossa pele, nem pro crescimento que vem brotando. essas turbulências pioram com a idade, pioram com as perdas, com a saudade, pioram com as pegadas e a vida carregada nas costas. as angústias tendem a pesar ainda mais, porque o solo é cruel pra quem não nasceu num gramado verde. sigo olhando pras minhas pegadas e pra terra que hoje me fecunda e sinto o gosto da lama ...
paranoia não tem cura paranoia corrói
é importante mergulhar em si.
leituras brutas do eu  do cru dói rasga pensamentos dilaceram rápido rápido  a  claridade que rasga as cortinas do ego me desfaço do ego externo externo. tudo brota. à mostra.

externando o cru

tenho me questionado, tenho me olhado no espelho e não reconhecido o que vejo, como se eu estivesse me escondendo em 5 muros diferentes, com cadeados e algemas. os anos assustam, os vinte anos e os tantos que chegam em velocidade mil. o medo consegue me acompanhar, não sei se acho todo esse turbilhão de receios e dúvidas interiores uma forma de nascimento e renovação ou se só piro ainda mais. questões armazenadas e pensamentos e memórias escondidas, perdidas. tenho me questionado e venho carregando um medo das respostas que extrapolam da minha essência quebrada, misteriosa mas ao mesmo tempo crua. eu sou crua? enquanto o correr à minha volta continua e os passos continuam, tento equilibrar as amarras - se conhecer também pode doer.

grão perdido

sou miudez em forma de gente. tenho carne e meus grãos sangram ao serem feitos de raiz que brota da terra ansiando grito. a areia embaixo dos meus pés descalços carrega esse cansaço de dias, desordem e de egoísmo. minha mãe do outro lado dessa cidade fugaz não entende da angústia que persegue os rostos. e o choro vem pra lavar as feridas expostas no sol escaldante.
o precipício é interno.

sem freio, transparente

talvez eu não veja as coisas do jeito que eu as via antes e talvez minha carcaça esteja apodrecendo em sentidos que eu mesma não entenda e não consiga alcançar.  minha memória me sabota, não consigo mais entender esses erros e ta borrado. eu temo esse branco que fica rondando minha mente, desvia minha atenção e eu sinto angústia de grito. consigo sentir na carne essa fraqueza quando vejo o reflexo e as sombras no espelho. eu to afundando, deixando a vida correr e não ajudando. eu não me sentia assim tão fraca e alheia, não sentia tanto esse nada, essa indiferença de vontades. não era tudo tão insosso, o gosto não estava amargando, minhas mãos não eram assim tão trêmulas e frias. e o tempo passa, não quero ficar, ele passa, não pausa e leva, na correria grave dos dias.
um corpo sem face, com olhos profundos escancarando minha mente à noite em um sonho lúcido. presença corriqueira que me fita e um passado ali guardado: me perdi. desconheço? mas és tu, ana, que desconheço.
no precipício de uma mente sem limites certos, eu carrego o silêncio que pesa com a crise que chega com a carga levando 20. pesa a leveza. 
olhar grave e perdido de quem não sabe e nem quer saber mais. mistérios escondidos num olhar atento e fugaz. num beco à meia luz eu te vi, no meio do alvoroço e desordem. mãos fundas que eu não sei o que levam e o que desejam e um andar ligeiro que se deixa ir.  corpo que anda e come, que quer, sem medos e com impulsos, se joga.  corpo que arrepia. 

tem coisas que te engolem

às vezes eu fico pensando em como determinadas coisas podem  te engolir de diferentes formas. as palavras me engolem em sentidos banais,  que eu nem sempre entendo, mas me deixo ser engolida por cada letra, sílaba, acento, frase e contexto ou talvez nem isso. eu só vou me engolindo nelas, me fazendo aos pouquinhos sem saber o fundo. o céu engole a gente todos os dias e nem nos damos conta desse azul imenso que rodeia nossas cabeças. ele engole nuvem, avião, pipa e pássaro e nisso tudo  somos só um bando de formigas perdidas na terra.  a gente engole umas comidas sem digeri-las direito, isso funciona também com as pessoas e os pensamentos. saímos devorando algumas coisas sem pensar na digestão, se aquilo pode nos adoecer ou  nos dar mais fibra. tem cenas que a gente quer ficar engolindo sempre, pra tentar não esquecer. tem os detalhes, que a gente vai engolindo aos poucos, pra ficar se fazendo nos pedacinhos deles....
essa dor ainda vai perdurar muito
hoje eu vi o moço que vende rosas em frente ao natal shopping. aquela rosa que eu te dei e com ela entreguei uma angústia que já vinha me corroendo há dias. me deparo com o medo de frente, medo que eu senti ao te entregar aquela rosa, como se com ela eu previsse uma ida que tava tão escancarada. anseios disfarçados em pétalas que viriam a cair, murchar e se perder.
eu sinto falta daquela cicatriz na tua boca e dos detalhes que você gosta.
eu quero explodir, explodir em mil pedaços diferentes de mim mesma e me encontrar nas formas abstratas da minha própria alma. eu quero gritar minha garganta inteira e me fazer vida nisso tudo.

eu me derramo

o peso das minhas costas me afetam e me dói como uma carga que leva toneladas em um caminhão de frete com destino longe. eu queria poder levar a serenidade nos meus olhos como antes, mas eu transbordo neles um mundo e sou miúda demais tentando me caber. eu encharco. meu choro ainda é ameno, minhas pálpebras pedem um socorro distante e eu ainda me jogo num mar cada vez mais fundo e azul; sou rasa e vazo, sinto tanto medo de me afogar, mas adentro nele como uma criança buscando conhecer a maré. sou fragilidade e meu peito é terreno baldio.
eu te desejo mil abraços. e um dia de mar inteiramente teu. eu te desejo calor.
às vezes é preciso que arda, para nos fazer sentir mais vida.
eu ainda sinto ânsia quando vejo sua foto perdida nas redes sociais, não que isso seja algo ruim, porque você não o é e nunca foi. eu não sei direito o que é, porque ainda to digerindo e mastigando as coisas aos poucos; eu to aprendendo. olha, eu te vi ontem no meio das luzes vermelhas, laranjas, verdes e amarelas, no meio do calor que mora na ribeira, e eu não sei o que foi aquilo, foram variações de sentimentos fortes que socaram meu estômago. saudade, calor, alegria, ânsia de grito, tremor, sorriso, afeto. eu te vi ali no meio daquelas artes, no meio de pinturas abstratas e palavras e fotografias e danças e rostos e urgência. no meio de uma música que eu não sabia discernir direito, igual tudo isso aqui dentro. e eu fico martelando minha cabeça no meio das coisas boas que o vento trouxe com você, junto de você e isso é bom, eu sei que é. mas eu não sei, e é por isso, porque o teu fragmento ainda arde em mim e no fundo eu só sou mais uma contradição tentado ficar em paz comigo mesma,...

aquele 21 de janeiro

vinte e um de janeiro de 2019. a gente se viu pra entregar nossas coisas pendentes, nossa conversa pendente, aquilo pendente que tava me sufocando aqui dentro, e eu consegui te falar, foi um vômito. parecia que naquele momento eu ia desmaiar de tanta ansiedade e você com todas as certezas do universo percebeu isso, porque você me conhece, você ainda conhece todas as minhas dores e lágrimas. doeu tanto, doeu tanto que você não tem ideia. me pego a pensar se você tem ideia do quanto dói e do quanto doeu. parece mentira, sabe? mas não é. parece uma faca que me cortou ao meio e em metades e em pedaços que eu nem sei mais o que fazer com eles, porque eu realmente não sei. você consegue sentir o que é nem conseguir mais ouvir determinadas músicas porque elas simplesmente encarnam tudo o que você é ainda para mim? você tem ideia? você não tem. porque eu ainda me afundo tanto, tanto que parece que não vai passar nunca. e como dói. e eu choro, eu choro tudo porque eu preciso e se e...
vem e vai. eu deixo, realmente vem e vai. é madrugada de um dia, e eu to aqui, nem sei mais, mas eu to aqui, e caramba, eu to viva! e vai.
dói tanto que às vezes parece que vai tomar vida, sair da minha carne, tomar vida mesmo, um corpo, olhos, unhas, mãos, e com essas mãos me apunhalar pelas costas, com uma faca ou com palavras, ou com olhar. dói e tu nem imagina essa dor, porque tu ta ai, e eu to aqui, e eu to aqui todos os dias me fazendo nela, me fazendo e me desfazendo, me fazendo               mal e coisas, me fazendo tudo isso e tu não sabe, o quanto dói. meu deus. e eu rezo, às vezes eu rezo mesmo, rezo pra que pare, pra que as coisas melhorem um segundo. eu rezo sem nem mesmo saber, mas eu rezo. mas não vai, e eu nem sei mais.
hoje. dia  13 de janeiro; voce andou nas ruas sozinha, sozinha, sozinha. na br. bebada e sem ninmguem. todas cas coisas podiam ter acontecido com vc mas por algum motivo nao aconteceram e vc ta ai, sentada, viva e com respiração. com respiração e sem orgulho do que acabou de acontecer. ta tudo bem? o tempo é o tempo, não é mesmo? e vai passar. algum dia. voce ta ai escrevendo digitando pq vc precisa e alguma hora isso vai com a névoa e vc so vai ri disso td. saia do computador, tome um banho, beba agua e deite. nao vai passar agora, mas aceite esse conselho de si, essa ajuda.
eu quero a paz de uma mente tranquila
e lysa, eu guardei pedaços de ti aqui dentro.
eu não sei quase nada, das coisas simples eu sei muito.
a gente se autossabota tanto pra tentar caber e entender, que acabamos envelhecendo antes dos 30.
as ruas da cidade alta parecem gritar mais durante a noite.

post-it

só temos tempo de viver o agora. o depois ainda está na geladeira.
hoje é uma madrugada que antecede um domingo. a porra de mais uma madrugada fria e escura e eu to aqui sozinha. sentada e ouvindo a vida silenciada e gritando lá fora com a rodovia. eu sinto sua falta, sinto a todo minuto e ela dói. dói sentir tanto como se eu fosse virar uma bolha de água enorme pra quando chegar lá bem distante no céu, explodir em mil gotinhas como uma chuva. eu sinto sua falta e hoje eu passei o dia aqui, nesse quarto que mal cabia nós duas, e eu senti sua falta. eu converso com as pessoas, ouço, as olho e tudo parece estar ok, elas dizem, eu digo e a vida segue. porque as coisas são assim e a gente se machuca com elas. às vezes sem saber o porquê e como, mas é assim mesmo e vai continuar acontecendo. eu to aqui e sinto sua falta. vai melhorar com o tempo, porque a madrugada acaba e o sol chega logo e eu te imagino, te sinto e ainda te vejo com um sorriso de explodir tudo. eu sinto sua falta e queria que as coisas fossem mais serenas como eram quando você me empurro...