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Mostrando postagens de abril, 2016

menino bonito

teu olhar chega em mim sem pedir permissão. jeito manso assim, arranca meu fôlego e me deixa em estado de dormência.

nota sobre os dias

lá fora o dia corre aqui dentro o dia escorre a fadiga que é existir engoliu o cotidiano 

nota sobre f

desenhei tua alma em forma de saudade.

elas e eu

sou bela, sou recatada e sou da luta. tenho um coração colorido e uma alma transsexual. tenho um discurso projetado na ponta do lápis. a poesia me fez dona de mim, meu corpo é meu, e minha vontade é apenas problema meu. só sou quando sou minha, só sou quando rio, só sou quando sou todas elas, só sou quando estamos juntas, só sou quando me faço poesia, só sou quando a poesia me faz. sou bela, sou recatada e sou minha.

efêmero

o tempo cabe num porta retrato, emoldurando minha tristeza em saber que tempo não é nada mais que um descompasso.
quero te arrastar pro meu caos

meu temor

o meu medo tem nome e voz. o meu medo tem rosto e mãos. o meu medo tem um corpo. o meu medo vive nos becos e ruas. o meu medo está na minha família. o meu medo está nos olhares, nos mísseis, na censura, nas fardas, nos livros, na história, o meu medo tem nome. o meu medo usa gravata e terno, chora e é silenciado. o meu medo é transmitido na novela das nove.

mulher

este poema é dedicado ao teu suor, este poema é dedicado ao teu choro, este poema é dedicado ao teu corpo, este poema é dedicado ao teus filhos e filhas, este poema é dedicado ao teu sangue vestido de glória.  este poema é dedicado a tuas tranças que são revestidas de dor este poema é dedicado à tua poesia, este poema é dedicado ao  teu medo, este poema é dedicado à tua canção, este poema é dedicado à tua flor, este poema é dedicado ao teu trabalho, ao teu sorriso, ao  teu sexo, à tua ternura,  ao teu grito, ao teu lamento. este poema é dedicado a tuas mãos que carregam tanto pesar.  este poema é dedicado ao teu silêncio sufocado por uma sociedade opressora.  este poema é dedicado ao teu feminino. este poema é dedicado à nossa união, história, nossa luta e revolução. 

NOTA SOBRE O DISTRAIR

Sou um ser distraído, minha fraqueza é não me observar o bastante. Acho que existo entre um universo desastroso e uma paranoia arquitetada. Sou isso, enfim: um desassossego.

ALGUM VESTÍGIO

Somos aquilo que percebemos em nós. Somos um instante de lucidez que se vai com o vento do existir.

UM INVERNO INTERNO

Quando me ponho a falar de mim, falo de partes, detalhes, retalhos e meios, procurando me dar um próprio significado, para chegar à alguma conclusão ou ao nada. Algum nada. Sou uma poeta menor, sou um espaço entre entrelinhas e utopia. Sou essa divagação em forma de verso e um soneto de inverno.

AMARELO

Meu coração é um ninho de sonhos, meus olhos orbitam tua confusão, somos um Jardim separado. Vamos amanhecer nossos dias.

AUSÊNCIA

Tenho agrado pelas inutilidades cotidianas, minha fadiga é sonhar demasiado, sou arquiteta de minha solidão. O meu abismo é não saber estar.

PINTURA

Minha tristeza é obra de arte,     é poesia feita. É obra de poeta.
Minha poesia é o pranto do sonhar