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Mostrando postagens de julho, 2016

ânsia

minha obsessão se fixou nos muros do teu eu interior e lá fez morada. teus olhos rasuraram as crateras que eu mesma criei e se deixou fazer e teu riso se propagou em meio a um beijo dissipado na fumaça. eu despejo minha solidão em ti de uma forma que não saberás o que fazer. é isso o que me inquieta.

acaso

teu silêncio fazendo resguardo em meus dias, meu lugar procurando um canto na tua poesia.
me veja além dos muros e crateras. me ouça além do grito.
as coisas mudam de uma forma banal

nota sobre E

quem me ouve falar de ti pensa até que és uma musa da sétima arte. eu te faço fotografias e te endeuso.
se me tocares, devora-me e decifra-me. devolva-me, porque eu já não estou mais aqui.
nos desfizemos naquele beijo, você se desfez e se foi. o que resta é sombra de gente urgente.
o desesperado é aquele que busca algo mais desesperado que a sua própria loucura?

a poesia fala

eu, caros leitores, sou faminta por audácia e ousadia, defronte de mim existem ânsia e desejos. eu sou a carne que o poeta insaciável procura para devorar. quando ouvem meu nome, não só causo encantamento nos ouvidos alheios, como perturbo a alma e o pensamento dos, se me permites dizer, tristes e desamparados. os tristes de que falo, são os engravatados que não perdem seu precioso tempo com tolices poéticas, ocupados demais ministrando seus belos cargos de gabinetes. eu estou aqui a falar, como a loucura fala nos devaneios de Erasmo. me ponho em teus olhos chegando até teu faro amistoso de poeta. quando eu finalmente, alcanço os que me desconhecem, eu os trato tão servilmente e amavelmente como os cães tratam seus respeitosos donos. os levo inspiração como o fotografia leva ao seu fotógrafo. o que é, os abraços voluptuosos e os beijos mais ardentes, senão poesia concentrando-se em corpos ardosos e urgentes? eu rodeio pelo mundo como o vento que faz rodopiar ...