eu, caros leitores, sou faminta por audácia e ousadia, defronte de mim existem ânsia e desejos. eu sou a carne que o poeta insaciável procura para devorar. quando ouvem meu nome, não só causo encantamento nos ouvidos alheios, como perturbo a alma e o pensamento dos, se me permites dizer, tristes e desamparados. os tristes de que falo, são os engravatados que não perdem seu precioso tempo com tolices poéticas, ocupados demais ministrando seus belos cargos de gabinetes. eu estou aqui a falar, como a loucura fala nos devaneios de Erasmo. me ponho em teus olhos chegando até teu faro amistoso de poeta. quando eu finalmente, alcanço os que me desconhecem, eu os trato tão servilmente e amavelmente como os cães tratam seus respeitosos donos. os levo inspiração como o fotografia leva ao seu fotógrafo. o que é, os abraços voluptuosos e os beijos mais ardentes, senão poesia concentrando-se em corpos ardosos e urgentes? eu rodeio pelo mundo como o vento que faz rodopiar ...