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Mostrando postagens de abril, 2019
o precipício é interno.

sem freio, transparente

talvez eu não veja as coisas do jeito que eu as via antes e talvez minha carcaça esteja apodrecendo em sentidos que eu mesma não entenda e não consiga alcançar.  minha memória me sabota, não consigo mais entender esses erros e ta borrado. eu temo esse branco que fica rondando minha mente, desvia minha atenção e eu sinto angústia de grito. consigo sentir na carne essa fraqueza quando vejo o reflexo e as sombras no espelho. eu to afundando, deixando a vida correr e não ajudando. eu não me sentia assim tão fraca e alheia, não sentia tanto esse nada, essa indiferença de vontades. não era tudo tão insosso, o gosto não estava amargando, minhas mãos não eram assim tão trêmulas e frias. e o tempo passa, não quero ficar, ele passa, não pausa e leva, na correria grave dos dias.
um corpo sem face, com olhos profundos escancarando minha mente à noite em um sonho lúcido. presença corriqueira que me fita e um passado ali guardado: me perdi. desconheço? mas és tu, ana, que desconheço.
no precipício de uma mente sem limites certos, eu carrego o silêncio que pesa com a crise que chega com a carga levando 20. pesa a leveza.