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Mostrando postagens de 2015

LOUCURA

Uma sombra, uma paisagem. Criar uma existência. Ser pouca. Cair em meus muros.

DOR

Tua angústia me faz falta, tua existência me afeta.
Minha agonia é não poder sentir a tua.

DOENÇA

meus dedos já não sinto, minhas mãos são findas. é pouco de mim os meus sentidos, é oco o vazio, beiro nauseada de angústia. é pouco de mim a existência. Não sinto.
Solidão é desfazer-se de si
Existir é estar desavisado

IMENSA

A imensidão é trágica quando vista de dentro. É trágica pro meu estreito corpo, corpo que desperta pra grandiosa solidão que paira nas paredes. A minha imensidão é estar só.

FOME

Há de chegar o tempo dos amordaçados, do riso desesperado, da fome vital, do caminhar pesado, dos muros quebrados e do escândalo dos solitários. E eu estarei soterrada nas lamúrias do amor.

FLORIR

A poesia alimenta-se da ruína, brota do caos. E grita. Desespera-se. Acorda.

ÓBITO

A morte chega aos meu dedos, braços, pés, entranhas, fígado, unhas, poros, língua, olhos, joelhos, barriga, cotovelos, boca. Espelho. Finca-se na angústia da imaginação. Forma-se um corpo. Mas vive.

MARIAS

Eu tenho um muro que abrange as miudezas que as mulheres carregam. Eu tenho um corpo que veste a dor bordada de minha mãe e cabelos carregados de fios embaralhados de sangue angústia temor. Eu tenho um grito fincado nos becos desertos de minha garganta e cicatrizes surradas de pesar. Eu tenho um filho único assassinado por uma liberdade oprimida e um socorro engasgado na língua. Eu tenho. Eu sou. Eu sou a mulher que madruga  à procura de uma lavanderia para enxugar suas lamentações e lavar a angústia que é ter que existir. Eu sou o samba engastalhado nos calos cotidianos e sou o cansaço das mãos maternas. Eu sou a beleza no sorriso do empoderamento feminino e sou a fala da mulher que clama por glória. Eu sou a multiplicidade e a verdade, a igualdade e autonomia. Sou o verde do florir e o azul do voar. Sou a Maria, Maria cotidiana e caótica, sou Maria trabalhadora e a Maria da luta.

POEMA AZUL

É de uma distância azul que  eu desconheço. É um desenho utópico que eu faço e desfaço. Ele é um laço. 

POEMA DO BARRO

eu tenho gosto por desembaraços e converso desajustes. eu pinto árvores nos becos da avenida 09 e carrego o gosto das abelhas. a minha dor veste a roupa dos insetos e cheira a água morna. e u gosto de ter visão de peixes.

PERDIDA

Eu procuro tuas andanças, tua agonia e divago no teu balão interior.

CARTA PARA ERIKA

Eu te amo tanto. Eu te amo todos os dias. Se eu acordo é te amando e durmo amando. Eu queria te apresentar a você, queria que você se encantasse com o lirismo bordado em tua pele. O teu rosto guarda um pesar de infância, o pesar longe, o pesar de não ter o abraço paterno neste dia tão radiante, meu amor. Eu queria te escrever todos os poemas que existem em minha garganta, eu me esforço. Eu te amo. Eu amo tua boca de café, amo teus olhos musicais, amo tua cor amarela sol branca nuvem azul céu. Eu amo teus joelhos nem tão aceitos por ti, amo o ninho que as tuas bochechas escodem e amo os pombos que rodeiam a tua cabeça que voa voa voa. Das tuas mãos, eu sei. Sei do teu cansaço e da agonia em não saber. Eu te amo por saber que o teu partir nunca virá. As janelas e portas mostram-me a conversa do tempo, o tempo que nunca chegará para nós porque somos os ponteiros que tic tac tic tac somos os ponteiros das ruas e das danças e cantigas. Porque esse tempo é infindo,...

EXPOR

Não há disfarce em minha solidão! Ela é totalmente nua para os meus eus interiores.

PORMA N° 2

O peso do sonhar afeta o cansaço que é a realidade. o real me atinge como um sonho. Acordo distante de mim.

IGNORÂNCIA

Escrevo porque não sei e escrevo porque quero ser. Não sei quem sou, não sei do que. Não sei se sou o que escrevo ou se sou a mortalha que ando querendo ser. Não sei. Sou o que escrevo? Ou escrevo o que ei de ser? Escrevo porque preciso preciso porque existo e existo porque escrevo. Reescrevo o que existo.

AGLOMERADO

No murmúrio dos automóveis, na fumaceira do povo, no bate-bate das rodovias, no toró das lágrimas, no chuveiro dos dias, na andança dos olhos preguiçosos, no vai-vem da euforia, na secura dos sorrisos, no correr dos ponteiros, na luz da aurora, no arco-íris da vitrola, nos versos repetidos, na fome por alma vivas, na multidão solta, a solidão batuca.

POEMA N° 1

Eu não quero viver neste redemoinho de doenças internas nem morar nestes catombos tontos que a alma desenha. Eu quero o lirismo que vive em teus pulmões floridos.

BAIRRO CANSADO

Os dias dormem no corre-corre da metrópole, eu tropeço no calçamento e tombo na avenida 9.

LA FATIGUE

Quero descansar na tua existência e chorar o fardo que é ter de sonhar.

ÂNSIA

Eu te amo porque te amo e não preciso de leis. Eu te amo porque te fascino, eu te amo porque você é delírio. Eu te amo porque preciso e te amo porque eu me diviso. Te amo porque você é longe, tão longe que não consigo te amar mais do que te amo. Eu te amo porque você é compasso e descompasso. Te amo porque você é metade inteiro, isolado, e exilado. Eu te amo porque você é poesia e esbanja euforia. Eu te amo porque você é ausência doença, presença, crença. Eu te amo porque te amo. Mas eu estou cansada e preciso ir. Adeus.

RESIDÊNCIA

Na residência da fadiga eu me fiz escrita.

CANIBALLE

Mastiga todo o teu verme e bebe o teu pudor. Engole tua mesquinhez e digere tua banalidade. Faz do teu caos uma janta e sente o sabor da loucura. Devora-te. Engole e saboreia os teus últimos instantes de lucidez.

DO OUTRO LADO

Há muita luz deste lado. Há muita cor deste lado. Há muita dor deste lado. Há muitos eus deste lado. Há minha alma deste lado. Há muita dança deste lado. Há muito sol deste lado. Há a chuva deste lado. Deste lado há o vazio o meu vazio fica deste lado. O lado sou eu por inteiro e  me faço no lado do acabado.

ELO AMARELO

Do azul  ao amarelo  eu tenho um elo. No belo sol  amarelo  eu me atropelo  e  com o céu singelo  eu fico em paralelo. 

CIDADE MINHA

Em minha cidade existe um lugar que é florido até as entranhas, e é neste lugar que o meu coração floresce. Ah, cidade minha... Quem dera minha alma ser dona desta paisagem. E você que é tão bonita, torna-se invisível. Invisível aos olhos que nada vê.

NÃO SEI

Não sei do que sei. O que sei eu? Eu sei dos desajustados, dos desavisados, que sabem o que não sei. Sei dos poetas que sabem tudo o que deixo de ser. Sei do que não sei e sou o que sei.
e u crio uma canção e me faço balão e na decomposição eu saio do chão te pego pela mão pra te levar na contra-mão e na contradição que é o meu coração.

JARDIM LÍRICO

Sou desses seres que se fantasiam grama, sou dos seres que se ditam formigas, faço parte dos seres que se imaginam peixes. Sou desses passos que ninguém repara. Sou. Sou aqueles domingos poéticos e vazios.  Sou a dor agonizante que não tem socorro.  Sou aquela metrópole onde as solidões sambam com o ritmo da multidão.  Sou os gritos famintos por misericórdia.  Eu sou o lirismo escondido no bolso do peito. 

QUADRO ESCASSO

Me desfaço no teu compasso     com teu passo. Me fiz no teu espaço por eu ser um quadro escasso.

JANELA INVISÍVEL

Na casa onde morei  havia bananeiras  e risos.  Na casa onde morei, a tensão pairava nas paredes. Na casa onde morei, as janelas serviam de retrato. Na casa onde morei a ausência                             tomava forma. Na casa onde morei os desenhos  escondiam-se em baús. Na casa onde morei existiu um quintal redondo.  Na casa onde moro a saudade perdura-se em álbuns e pinturas.  Na infância em que morei o jardim  espantava os fantasmas e transformava lágrimas em chuva. 

FURTA-COR

Alma incolor. Toma um pincel, poeta pinta uma poesia colore as entranhas com um furta-cor.

INVERSO

De verso em verso eu me viro do inverso,                do universo que é criar um verso.

PÁLIDA LUZ

A manhã reluz todo o dia. Como é formosa em sua claridade. A manhã. A manhã nos diz o que a noite esconde. É pela manhã que os pássaros se fantasiam de rosas e as árvores se encarnam em jardins. Bonita a manhã. Queria te desvendar mas só te ouço pela janela e sussurras tão baixo... Como é bela e misteriosa a manhã.

BAILARINA DESEQUILIBRADA

Eu danço como quem está em declínio, eu danço como as crianças desmioladas. Eu danço igual ao sol vestindo o céu com seu amarelo infinito, eu danço a dança dos românticos! Quem dera ser a tal amada... E no rodopio eu me embalo na solidão. E danço, danço sempre. Danço com os poetas, danço pelos poetas. Danço! Mas sempre dançando, num ritmo frenético, ritmo amarelo, ritmo de samba,  ritmo eterno.  Tentando ser bailarina do meu eu. 
Imagem
Acolho o desespero dos solitários Amo-os E rio

QUALQUER COISA

Sou o que invento e sou o irreal. Sou ausência  e utopia. Sou a paisagem que desenho nos muros. Sou tudo o que não sou. Eu sou o céu pintado com as cores da alma . Sou qualquer coisa chamada de alma. E mais que tudo, eu sou qualquer coisa feita de sonhos.

UTOPIA FALHA

Eu tenho um Sonho dentro de mim    do tamanho do mundo. E ele, o sonho, guarda tudo o que nunca ei de ser.

luz distante

Existe uma fresta por onde passa uma luz radiante.   Que luz é esta que quanto mais brilha mais se está distante?

és

Eu não escrevo para ninguém nem mesmo para mim. Escrevo estes versos               das entranhas porque é tudo o que sou e é tudo o que sou agora.
És distante e vasto tão pequeno  e maioral. És imenso como um rio, és a beleza do céu,                            és lindo. Tens trovoadas internas que não  sossegam nunca. Tua solidão é tão bonita quanto a de um  romântico. És tão misterioso como o homem  e tão bonito como o cubismo. Meu amor, tu és tão bonito que é  impossível enxerga-te

ABSURDO

Eu não tenho tempo nem horas eu não tenho um jardim nem pássaros eu não sou uma pintura nem tinta eu não sou o "não" nem sou fins ou meios. Eu sou o início de          catástrofes solitárias. Eu sou máscaras escondendo temores. Não sou o sol ou a chuva, sou um arco-íris com cores a mil. Eu sou vida e morte, loucura e insanidade, desejo e ânsia, distância e toque, sonhos e utopia, e tudo o que me veste é absurdo.                

CHEIO-VAZIO

Esse vazio não tem quem preencha não tem flor que o                 floresça. Ele vem de dentro, do submundo onde o rio faz foz com uma tristeza sem meio nem fim. Tristeza bonita. E dor... Não existe dor bonita "Nenhuma dor é bonita, Madu" E eu sei, cada um a preenche com o seu jardim. E o vazio... não tem quem o preencha. Vazio já esquecido no meio do texto. Desculpe-me caro leitor pela incompreensão, desculpe-me pelo final desse vazio, que me fugiu e foi se auto preencher.

VÃO

Eu tenho um vão que na penumbra da noite consola-me todos os pesares. Que vão é esse que quanto mais apertado mais a solidão afrouxa? E no chão frio eu deito. Pele e sujeira. Vou ao encontro do chão sujo e molhado. Eu tenho uma dor escondida que nem revelo a mim, é uma dor sem rosto, nem voz, uma dor que não se manifesta mas corrói todo o meu corpo. Como um cupim esfomeado - será uma antítese? E essa dor, corrói o vão, as paredes e o chão. Mas que vão será este que quanto menor mais a dor se apodera da alma? Vão sem nome, nem alma.
Poesia a mil. Sou duas sou três sou pó. Sou PÓesia a mil.

AS TONTAS NUM QUINTAL UTÓPICO

Na área da dona Sônia eu me espreguiço. Me espreguiço na área da dona Sônia. O dia-sol queimando o chão reluzindo sombras de mato O galo já cantou a música dos solitários, o gato já bebeu o leite dos caóticos, as flores já se banharam de glória, a chuva não apareceu para a festança, o bendito do periquito grita feito o ontem  O carteiro ainda não passou, o moço do picolé se derreteu,  Ei compadre! Volta aqui com esse picolé que o calor tomou conta do frio, tomou as contas que eu não tenho. A casa cheia de contas. Não se preocupa mãe, eu te pago um picolé. Me espreguiço na área da dona Sônia. Na área da dona Sônia eu me espreguiço. Me espreguiço desta preguiça inventada, esta solidão corporizada pelo corpo, pelos olhos, pela carne, sobre a pele. E eu as tontas no quintal utópico
Nesse fragmento de "só" que nem a solidão me tem.

50 ALMAS

tenho em mim todas as ruas e becos lotados de putas e esperma, tenho em mim todos os bares e orgasmos, tenho em mim toda beleza escondida, tenho em mim toda feiura esclarecida. tenho em mim todos os poetas e bêbados, tenho em mim o trânsito e engarrafamento de mentes exaustas. guardo toda solidão que encontro, acolho todos os medos, levo comigo todo o vazio de uma festa, Faço festa. sou uma festa. sou todas as árvores sou um caule, adoro todas as coisas. eu tenho mais de 50 almas e eu tenho mais de 50 bocas.

DESESPERO

Esse grito não audível dos famintos por liberdade, sufocados por uma caixa preta. Essa ânsia louca de solitários por paredes falantes e tetos cantantes. Esse dialogar sem rumo, diálogos sem rumo, teia, ouvintes no meio da teia. Ouvidos de surdos e bocas de cigarras.
Trajeto cotidiano imaginário. Vidas a curto prazo. Globo que gira, gira, gira, gira, constantemente. Mente de carrossel. Parque escasso.

RETALHO

Papel à pele, tinta incolor, pintura psicológica. Quadro literário.  Pintor retalhado.

a solidão batuca

solidão à dentro, sofá ao leito, dedos ao gelo, olhos ao mudo, sorriso agudo. v ento a batucar aqui.
me atraio por esse desejo  longínquo.  deixa essa cara assim  sem eu reparar que  eu gosto, bem longe, ninguém percebe, nem mesmo tu. nossas vidas se esbarram e ninguém percebe. deixa tua solidão assim bem perto.
rio que escorre lento lendo, lendo, viro rio. sou um rio lento.

POESIA

Poesia a gente faz, cria. Poesia é uma dama que puxamos pra dançar, poesia é aquele sol que transforma o dia monótono em fascínio lúbrico de chuva. Poesia a gente faz. Somos feitos da mesma, grãos de pó. Poesia.

FAIRE

Adote um cachorro. Adote um jardim, beije uma puta, ame sua puta. Mastigue uma grama, ganhe na loteria, compre uma casa, um sofá, gaste o sofá, coma o sofá, abrace o carteiro desenhe, uma carta, compre um aquário, jogue os peixes no mar, se jogue no mar. Cante a garçonete, coma um sanduíche, varra a calçada, o cabelo, a cabeça, compre uma livraria, seja uma tinta. Se escreva.