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Mostrando postagens de novembro, 2015

MARIAS

Eu tenho um muro que abrange as miudezas que as mulheres carregam. Eu tenho um corpo que veste a dor bordada de minha mãe e cabelos carregados de fios embaralhados de sangue angústia temor. Eu tenho um grito fincado nos becos desertos de minha garganta e cicatrizes surradas de pesar. Eu tenho um filho único assassinado por uma liberdade oprimida e um socorro engasgado na língua. Eu tenho. Eu sou. Eu sou a mulher que madruga  à procura de uma lavanderia para enxugar suas lamentações e lavar a angústia que é ter que existir. Eu sou o samba engastalhado nos calos cotidianos e sou o cansaço das mãos maternas. Eu sou a beleza no sorriso do empoderamento feminino e sou a fala da mulher que clama por glória. Eu sou a multiplicidade e a verdade, a igualdade e autonomia. Sou o verde do florir e o azul do voar. Sou a Maria, Maria cotidiana e caótica, sou Maria trabalhadora e a Maria da luta.

POEMA AZUL

É de uma distância azul que  eu desconheço. É um desenho utópico que eu faço e desfaço. Ele é um laço. 

POEMA DO BARRO

eu tenho gosto por desembaraços e converso desajustes. eu pinto árvores nos becos da avenida 09 e carrego o gosto das abelhas. a minha dor veste a roupa dos insetos e cheira a água morna. e u gosto de ter visão de peixes.

PERDIDA

Eu procuro tuas andanças, tua agonia e divago no teu balão interior.