meus dedos já não sinto, minhas mãos são findas. é pouco de mim os meus sentidos, é oco o vazio, beiro nauseada de angústia. é pouco de mim a existência. Não sinto.
A imensidão é trágica quando vista de dentro. É trágica pro meu estreito corpo, corpo que desperta pra grandiosa solidão que paira nas paredes. A minha imensidão é estar só.
Há de chegar o tempo dos amordaçados, do riso desesperado, da fome vital, do caminhar pesado, dos muros quebrados e do escândalo dos solitários. E eu estarei soterrada nas lamúrias do amor.
A morte chega aos meu dedos, braços, pés, entranhas, fígado, unhas, poros, língua, olhos, joelhos, barriga, cotovelos, boca. Espelho. Finca-se na angústia da imaginação. Forma-se um corpo. Mas vive.