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Mostrando postagens de março, 2016
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Eu gosto de observar os rostos em silêncio. Eu gosto de observar as minuciosidades.

SILÊNCIO

Me fiz invisível para caber nos dias, para caber nas ruas. Eu sofro de desajuste existencial.

insensatez

a gente só precisa de loucura no inconsciente, do surreal na ponta dos olhos. a gente só precisa de um instante de desvario. 

DO AMOR

Eu quero ser como você. Quero sua delicadeza, suas mãos cansadas e seu desespero ao arrumar as coisas pequenas. Quero ter seus cabelos que o vento não consegue alcançar por inteiro. Quero seus pés que carregam o chão sujo da opressão, quero te proteger da opressão de viver. Quero teus dedos que costuraram meu sonhos mais ternos. Quero teus joelhos e pulsos. Quero sentir teu cansaço de ser mãe e pai, ausência e presença. Quero tua fadiga e teus olhos. Quero morar na tua epiderme, fazer chover nas tuas feridas, quero abrigar tua alma ligeira.

GESTO MUDO

O silêncio se projeta em meu olhar como a paisagem     num retrato velho e esquecido, levemente caído na sala de jantar, esperando a poeira. O que há em mim é sobretudo o silêncio. Sou a fotografia do silêncio, a cena,    o gesto.

DO COTIDIANO

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Da vida amena, do aperto, da correria, do barulho, dos deslizes, do riso, do choro, da desordem, dos olhares avulsos. Do cotidiano.
De quantos poros de poesia tua pele é formada?

PERTO LÁ

Tua inexistência em mim dói. Eu ainda carrego tuas mãos e o teu olhar beirando à loucura. Teu calor causou em minha pele um alvorecer. Teus cabelos foram como as plantas que eu não consigo cuidar. Tua cor se perdeu na minha, teu beijo se descobriu no meu e teu riso foi gargalhada em tumulto. Sinto ânsia de teus pulmões outra vez. Tua falta me afeta.

LÚCIDA

Eu criei uma forma de morrer que é só minha. Eu formei crateras onde minha alma tomava forma. Em um instante de lucidez o meu desajuste acorda. Eu criei uma forma de morrer que é só minha. Escrevi calamidades nas paredes do meu ser. Muros. De quantos muros podemos ser feitos? De quantas realidades nossos sonhos se bastam? De quantos sonhos a realidade é feita?

SEM FORMA

A minha poesia nasce todos os dias, a minha poesia devora, a minha poesia não dorme, a minha poesia acorda, a minha poesia chama, a minha poesia esperneia, a minha poesia tem fome, a minha poesia é doença. A minha poesia é surda, a minha poesia é cega, a minha poesia congela. A minha poesia anda descalça a minha poesia é floresta.