é doloroso se acostumar com o mundo depois que você deixou ele
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Mostrando postagens de junho, 2019
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é preciso saber olhar o passado, sentir a raiz do que hoje brota em si. como uma planta, somos vida de uma semente pequenina que nasceu de solo forte. é preciso olhar pras mãos e rugas que hoje abraçam, que um dia foram jovens e secas, que sofreram e carregaram um peso nas costas pra te vestir uma peça de roupa e te dar de comer. a represa daquele rio sem fim segue forte, os sons que saem dali continuam graves e as padarias continuam lotadas às 5 horas da manhã numa avenida barulhenta. aquela rua mudou mas continua guardando um jardim no pé da calçada que coloria muita coisa e que tentava esconder traumas que hoje insistem em acordar. voltar é importante. cuidar de quem e do que te cuidou e seguir sem esquecer do quintal que te fez ser gente. 11/06/2019
pausa
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lide com os problemas que você gera por não enxergar e pensar direito. ser responsável pelo que acumulas e ter ciência dessa desorganização material e também interna. quero que você pense mais sobre o que estás fazendo em relação à essa bagunça e moinho e preguiça, essa última que muitas vezes parece ser uma pessoa que te puxa pelas mãos e as prendem, porque isso resulta em fossa. é bom ter esses choques de si, dos outros ou de desconhecidos, porque de uma conversa por mais superficial e insignificante que pareça, é arrecadado dela punhados de sabedoria escondida. o mundo devora e tu é só uma gotinha, o tempo é só uma gotinha também mas que num piscar vira enchente e correnteza braba que vai alagando aos pouquinhos sem se importar com o sono e com o cansaço emocional rotineiro que por vezes escancara e domina tudo sem pedir licença.
JULGAMENTO (série de sonhos e pesadelos) | 15/06/2019
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corro, estou correndo muito, quase sem fôlego. estou em lugares diferentes, subindo em telhados, encontrando rostos que nunca antes havia visto, meio apagados. na primeira vez que esse sonho me ocorrei, o que me estava me perseguindo, correndo atrás de mim para me pegar eram pessoas próximas, eu as via, pessoas bastante conhecidas, apesar de não recordar-me agora especificamente quem realmente eram. nas eu corria, me sentia sendo julgada e uma sensação horrível e sufocante. corria, andava, parava, conversava, me molhava em algo que parecia ser uma mangueira solta, via vultos. mas então comecei a ouvir sirenes de viaturas, ao mesmo tempo em que esse lugar que eu estava, começava a ser infestado de policiais, vindos de todos os lugares. abastecidos de muitas armas. eu continuava a correr, subir em telhados, entrar em casas. era tudo muito rápido. via avenidas desconhecidas e sentia muito medo. acordei, um pouco sem fôlego, sentei na cama e revi todas aquelas imagens, repetidas vezes, atr...
o gosto sereno do que ficou
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é preciso descansar dos devaneios e angústias que entram sem pedir licença e sem freio na casa dos vinte. tenho pensado ultimamente na carência que insisto em alimentar, na carne que anseio, nos arrepios que levo da vida e das pessoas, nos toques e conversas que quero viver. solidão é dura e insossa igual uma carne jogada no meio das moscas no quintal, derramada junto com o feijão podre. me cego e atropelo o que me vem na frente, sem freio, sem parar e analisar as mil problemáticas e inseguranças que podem estar escondidas querendo sair ou ficar. não é justo forçar esse entendimento, não é justo pro nosso interior, nem pra nossa pele, nem pro crescimento que vem brotando. essas turbulências pioram com a idade, pioram com as perdas, com a saudade, pioram com as pegadas e a vida carregada nas costas. as angústias tendem a pesar ainda mais, porque o solo é cruel pra quem não nasceu num gramado verde. sigo olhando pras minhas pegadas e pra terra que hoje me fecunda e sinto o gosto da lama ...
externando o cru
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tenho me questionado, tenho me olhado no espelho e não reconhecido o que vejo, como se eu estivesse me escondendo em 5 muros diferentes, com cadeados e algemas. os anos assustam, os vinte anos e os tantos que chegam em velocidade mil. o medo consegue me acompanhar, não sei se acho todo esse turbilhão de receios e dúvidas interiores uma forma de nascimento e renovação ou se só piro ainda mais. questões armazenadas e pensamentos e memórias escondidas, perdidas. tenho me questionado e venho carregando um medo das respostas que extrapolam da minha essência quebrada, misteriosa mas ao mesmo tempo crua. eu sou crua? enquanto o correr à minha volta continua e os passos continuam, tento equilibrar as amarras - se conhecer também pode doer.