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Mostrando postagens de dezembro, 2016

para beatriz

hoje choveu, beatriz. e eu só consigo lembrar de tua chuva morna e quente deslizando pela tua face tão distante de meu toque, apesar de estarmos 2 centímetros perto uma da outra. mas você nunca esteve presente. "o presente é só questão de se deixar sonhar e imaginar", você falou. mas o sonhar é muito distante e o que você nunca quis entender é que o teu estar presente em mim é incurável. tudo o que resta de ti são aqueles brincos enferrujados que você nunca ousava largar e que me furam as lembranças até a última lágrima de saudade. são essas lágrimas que tem o poder de amenizar a seca que paira sob meu sertão carnal e que me afogam o adeus teu. ana.

lonely

essa lágrima que cai, quente e distante, escorre com o tempo, ela pesa falta, escassa do real e concreto, do intenso. se derrama pelas coisas efêmeras que brilham muito e apagam cedo. o pesar das superficialidades se desdobra numa lágrima no rosto do agora. e o agora amanhece só.

poeira estelar

meu coração aterrissa nos desconhecidos sem temer catástrofes colaterais, porque o que há em mim é sobretudo intensidade. sem meios termos e nem meias verdades eu me entrego na invenção do acaso. me perco no universo alheio e vou-me embora sem deixar rastros cósmicos.

a dor assalariada

essa dor que a gente sente não aparece na TV, neutralizada pela indiferença,  ela nos abate como uma amiga. essa dor que a gente sente inventa a gente. a gente não aparece na TV, mas nossa dor estampa os jornais todos os dias. a nossa dor não é propaganda, ela é real e tem pés. ela anda pela estrada da utopia e se faz presente no salário do fim do mês. a nossa dor faz fila pra comprar pão na padaria.