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Mostrando postagens de maio, 2016
o que me dói é essa liberdade sendo prisioneira de tua opressão e de teu ego subversivo. me dói tua brutalidade, me dói o teu toque, me dói o teu andar atrás de mim e teu olhar carregado de teu gosto escroto. me dói essa tua superioridade que tu crias procurando uma grandeza superficial.

30 temores

o que sou senão um pedaço de carne para ti? tu me explora, tu me abusa, tu me envergonha, tu me deplora, tu me xingas, tu me bates, tu me maltrata, tu me mente e  dilacera meu psicológico. tu me feres. tu me angustia tu me desespera, tu me afoga, tu me humilha,  tu me agride, tu me grita tu me usa  e me devora, deixa marcas em meu rosto, em meus braços, em minha fragilidade,  em minha coragem,  em minha inocência. tu agride meu feminino e com isso se faz dono de si.  tu. tu és essa doença que adentra minhas entranhas, esse repúdio e vergonha, tu não és um bicho, nem doente, tu és um homem, me aprisiona e me oprime. tu. 30.
eu não faço por mal, eu só sou triste.

não pergunte-me, devore-me

se perguntarem de onde eu vim, não saberei responder, porque em lugar nenhum moro. se perguntarem onde durmo, já não sei, porque é a insônia que me atormenta todas as noites. se perguntarem o que eu quero, não darei respostas, porque sou uma canibal do mundo inteiro. se perguntarem qual é minha paixão, não irei saber, porque a paixão está sempre comigo, sou apaixonada pelo cotidiano ligeiro e pelo universo, por todas as pessoas e desconhecidos. se perguntarem qual o meu sonho, não direi, porque meus sonhos são as realizações do agora e minha utopia é efêmera. se perguntarem minha idade, não saberei, porque sou eterna. se perguntarem meu nome, direi que ele é revestido de versos, e seu eco é de poesia gritando. agora, se perguntarem quem eu sou,  os deixarei na dúvida, porque sou eu essa poesia que acalenta, que debate e se agustia, que ri e se desespera. sou uma poeta menor.
silêncio taciturno metade agudo metade mudo. difuso.

teatro

noturna e grave, cena e atriz, destemida e imperfeita, poeta e crua. ânsia e impulso. sonora e nula, pouca e trágica, comédia. sou esse teatro e sou eterna.
sou sentimentalismo barato.

confusão

quando eu for já não ei de ser porque o meu eu já não será mais e o meu ser desaparecerá, deixando algum rastro de nada. viro poeira estelar.
sou caos, paranoia e temporal. dilúvio de impulsos e impasses. Sobrecarga de insônia e paixões. o que sobra é carne.