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CARTA PARA ERIKA

Eu te amo tanto. Eu te amo todos os dias. Se eu acordo é te amando e durmo amando. Eu queria te apresentar a você, queria que você se encantasse com o lirismo bordado em tua pele. O teu rosto guarda um pesar de infância, o pesar longe, o pesar de não ter o abraço paterno neste dia tão radiante, meu amor. Eu queria te escrever todos os poemas que existem em minha garganta, eu me esforço. Eu te amo. Eu amo tua boca de café, amo teus olhos musicais, amo tua cor amarela sol branca nuvem azul céu. Eu amo teus joelhos nem tão aceitos por ti, amo o ninho que as tuas bochechas escodem e amo os pombos que rodeiam a tua cabeça que voa voa voa. Das tuas mãos, eu sei. Sei do teu cansaço e da agonia em não saber. Eu te amo por saber que o teu partir nunca virá. As janelas e portas mostram-me a conversa do tempo, o tempo que nunca chegará para nós porque somos os ponteiros que tic tac tic tac somos os ponteiros das ruas e das danças e cantigas. Porque esse tempo é infindo,...

EXPOR

Não há disfarce em minha solidão! Ela é totalmente nua para os meus eus interiores.

PORMA N° 2

O peso do sonhar afeta o cansaço que é a realidade. o real me atinge como um sonho. Acordo distante de mim.

IGNORÂNCIA

Escrevo porque não sei e escrevo porque quero ser. Não sei quem sou, não sei do que. Não sei se sou o que escrevo ou se sou a mortalha que ando querendo ser. Não sei. Sou o que escrevo? Ou escrevo o que ei de ser? Escrevo porque preciso preciso porque existo e existo porque escrevo. Reescrevo o que existo.

AGLOMERADO

No murmúrio dos automóveis, na fumaceira do povo, no bate-bate das rodovias, no toró das lágrimas, no chuveiro dos dias, na andança dos olhos preguiçosos, no vai-vem da euforia, na secura dos sorrisos, no correr dos ponteiros, na luz da aurora, no arco-íris da vitrola, nos versos repetidos, na fome por alma vivas, na multidão solta, a solidão batuca.

POEMA N° 1

Eu não quero viver neste redemoinho de doenças internas nem morar nestes catombos tontos que a alma desenha. Eu quero o lirismo que vive em teus pulmões floridos.

BAIRRO CANSADO

Os dias dormem no corre-corre da metrópole, eu tropeço no calçamento e tombo na avenida 9.