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Eu gosto de observar os rostos em silêncio. Eu gosto de observar as minuciosidades.

SILÊNCIO

Me fiz invisível para caber nos dias, para caber nas ruas. Eu sofro de desajuste existencial.

insensatez

a gente só precisa de loucura no inconsciente, do surreal na ponta dos olhos. a gente só precisa de um instante de desvario. 

DO AMOR

Eu quero ser como você. Quero sua delicadeza, suas mãos cansadas e seu desespero ao arrumar as coisas pequenas. Quero ter seus cabelos que o vento não consegue alcançar por inteiro. Quero seus pés que carregam o chão sujo da opressão, quero te proteger da opressão de viver. Quero teus dedos que costuraram meu sonhos mais ternos. Quero teus joelhos e pulsos. Quero sentir teu cansaço de ser mãe e pai, ausência e presença. Quero tua fadiga e teus olhos. Quero morar na tua epiderme, fazer chover nas tuas feridas, quero abrigar tua alma ligeira.

GESTO MUDO

O silêncio se projeta em meu olhar como a paisagem     num retrato velho e esquecido, levemente caído na sala de jantar, esperando a poeira. O que há em mim é sobretudo o silêncio. Sou a fotografia do silêncio, a cena,    o gesto.

DO COTIDIANO

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Da vida amena, do aperto, da correria, do barulho, dos deslizes, do riso, do choro, da desordem, dos olhares avulsos. Do cotidiano.
De quantos poros de poesia tua pele é formada?