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são tempos difíceis para os que sentem demais.
como o cineasta claude miller um dia falou: "eu filmo porque quero ser amado", acho que escrevo porque quero ser amada também, mas ao contrário do miller, quero ser amada por mim mesma, não só pelos que me leem. 
a dor é apenas um cisco nos olhos da vida. arde e vai embora.
viver em desalinho e amar a intensidade dos amores efêmeros. sentir a solidão das noites amargas em que o vento é um acorde passional. se encolher sozinha à noite com um peso que é só teu. e assim, amanhecer para mais um bater de pálpebras.
lembra-te a ti mesmo que a dor é um peso que passa com a névoa do tempo. e que esse vazio corrói e devora, mas que há sempre uma direção neste arrastar de suspiros.

um pedido de socorro interno: abismo de mim para mim

eu sinto tanto medo e tanta angústia que nenhum abraço mais me acalma. eu quero gritar um mundo mas eu nunca ouço esse retorno desesperador.  dói. dói tanto sentir muito e se ver perdida nesse turbilhão de gente. dói, corta, espanca.  e esse choro parece querer me lavar de todas as impurezas que eu procuro em vão, porque minha sede de amor me leva a um abismo existencial em que nunca sobra ninguém. quando eu vejo, já amanheceu e você já não está mais aqui. vocês. o mundo todo.  eu quero me salvar de mim antes que eu apodreça, porque esse cansaço, ele me mata todos os dias.  perdão, mas a sensibilidade é pesada demais pra minha realidade. perdão. 
não dá pra isolar a solidão de uma parte do corpo, é como um câncer que se apodera de todo o seu organismo. ela emana tudo. e dói.