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eu preciso dizer

o meu amor tem duas pernas e dois braços. um nariz e uma boca. ele anda, come e digere. o meu amor é canibal e tem um olhar que devora tudo. o meu amor tem um coração e dois pulmões. ele pulsa. ele também sangra. meu amor respira e dorme, tropeça e se perde. o meu amor tem marcas na pele, nos ossos. tem marcas internas. meu amor soluça e fica doente, pega ônibus e se espreguiça. meu amor é saudade e é carne, é pele e toque, desejo e sensibilidade. meu amor vive em tudo o que é vivo.

tá tudo bem

eu sei que tudo consegue ser uma merda às vezes. a gente se olha e parece que tudo vai desmoronar, que nossos corpos que estão ali vão viver aquele momento por uma eternidade mas a gente sabe que tudo vai ruir. porque é assim e a gente não nasce com um bilhete nos avisando sobre isso. eu não te culpo por sentir isso e não te culpo pela insegurança    ou medo (ou tudo isso junto que só fode nossa mente mais e mais). eu entendo que o momento e o tempo parecem estar conseguindo deixar as coisas mais complicadas e loucas e que você não sabe o que fazer com esse amontoado de sentimento novo e recente. a gente não precisa tentar entender o amanhã, ou tentar entender essa dor que sempre chega, porque a tendência sempre é acabar em ferida. e tudo bem. a ferida ta ali esperando ser acolhida e o que veio dela é o agora. e o agora é eterno. você fala que a tragédia é inevitável e eu te olho querendo dizer que a tragédia nasce da tua pele encostada na minha, do teu olhar...
eu me perco tanto nos detalhes que te formam.

sobre esse amontoado de sentir

um monte de coisa dentro de mim não sabe lidar com você e tudo bem, porque tudo na gente é libertador. tudo bem se tudo é um pouco confuso e você só queria que fosse mais fácil e tudo bem deixar ser levada pelo medo. mas a forma como você respira é um pouco além do que eu posso suportar e os teus olhos é um caminho sem volta. tudo em você eu queria descobrir, tudo em você que dói eu queria abraçar. você é esse movimento que pode me causar náuseas           e eu não quero que passe. teu toque já está fazendo morada em mim, e isso é tão bonito.

procurando tudo isso ao mesmo tempo

afundar na própria pressão a qual eu mesma me submeto é degastante.  deixar e ser levada é algo que está  comendo os dias numa velocidade sem freio. meu medo é deixar o rastro de sensibilidade morrer, porque a pureza já morreu e a minha pele já não é a mesma. meu rosto já mudou. minhas mãos estão trêmulas e eu rio o tempo todo, deixando algo acontecer. não sei o que eu to matando,  não sei o que ta morrendo. ta tudo meio borrado. a vista ta turva. mas é tudo por hora  e amanhã eu acordo. 

valsa para E

eu coloquei a canção mais bonita e que para mim, te veste inteira, e comecei a escrever e me fazer, e nos fazer nessas palavras. um pedido de desculpas que dói em tudo, um pedido de perdão pela ausência. pela distância. ah E, se tu soubesse o quanto você arde em mim e o quanto teu sorriso afeta tudo em mim, e como os dias pesam, e em como o tempo pode corroer, tu viria correndo aqui me abraçar e sentir que eu to aqui. mas a gente ta longe, fisicamente e mentalmente.                   com quantas lágrimas se faz um pedido de desculpas?                   com quantas lembranças se faz uma saudade? não sei, tudo o que sei é dos anos que não voltam, do choro que não volta, do impacto que não volta mas que permanece, ali, aqui, aí, vivendo e respirando, porque tudo o que nós somos não se desfaz assim. nós somos aquele nó que não se desprende. tu és o nó que me prende e me liberta. ...
de repente tudo é um eterno labirinto de novo, meus olhos pesados são uma bomba prestes a explodir, meu corpo é um pedaço de carne pronta                                    para ser devorada e eu só consigo me imaginar à deriva de todo o sentimento mais banal que existe. tudo é belo e trágico e as pessoas são uma máquina de incompreensão e medo;   nesse universo de contradições meu coração pulsante derrama e renasce.