VÃO



Eu tenho um vão
que na penumbra da noite
consola-me
todos os pesares.
Que vão é esse
que quanto mais apertado
mais a solidão afrouxa?
E no chão frio
eu deito.
Pele
e
sujeira.
Vou ao encontro do chão
sujo
e
molhado.
Eu tenho uma dor escondida
que nem revelo a mim,
é uma dor sem rosto,
nem voz,
uma dor que não se manifesta
mas corrói todo o meu corpo.
Como um cupim esfomeado - será uma antítese?
E essa dor,
corrói o vão,
as paredes
e o
chão.
Mas que vão será este que
quanto menor
mais a dor se apodera da alma?
Vão sem nome,
nem
alma.

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