não pergunte-me, devore-me

se perguntarem de onde eu vim,
não saberei responder, porque em lugar nenhum moro.
se perguntarem onde durmo, já não sei,
porque é a insônia que me atormenta todas as noites.
se perguntarem o que eu quero, não darei respostas,
porque sou uma canibal do mundo inteiro.
se perguntarem qual é minha paixão,
não irei saber, porque a paixão está sempre comigo, sou apaixonada
pelo cotidiano ligeiro e pelo universo, por todas as pessoas e desconhecidos.
se perguntarem qual o meu sonho, não direi,
porque meus sonhos são as realizações do agora
e
minha utopia é efêmera.
se perguntarem minha idade, não saberei, porque sou eterna.
se perguntarem meu nome,
direi que ele é revestido de versos,
e seu eco é de poesia gritando.
agora, se perguntarem quem eu sou,
 os deixarei na dúvida,
porque sou eu essa poesia que acalenta,
que debate e se agustia, que ri e se desespera.

sou uma poeta menor.

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