é cansativo sentir muito num mundo de pessoas rasas.
quando eu olho o mar, eu sinto o mar, eu vivo as ondas e respiro a areia.
se eu te beijo e toco tua pele, nela eu me fragmento e me sinto viva por um milésimo de tempo que eu tenho e guardo para você.
mas esse vazio,
esse vazio que eu sinto nas coisas e que é tateável,
ele desdobra tudo o que há de bonito e intenso que eu crio.
eu fecho os olhos e sinto esse vestígio se esvaziando do meu peito; eu choro.
sinto a água sobre minhas mãos e não é possível conter o tempo que vai, o tempo que leva o mar de mim; que vai te levar de mim.
eu sinto tanto que meu corpo já não consegue me conter.
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