SOBRE ISOLAMENTO E ESSE CAOS DE MERDA
Eu vou contar uma história, e eu vou contá-la do meu ponto de vista bem pessoal mesmo, vou falar aqui coisas que estou sentindo, vendo, descobrindo, aprendendo, coisas que estão me deixando doidinha, como eu vejo como tudo isso vai afetar as pessoas e suas relações, muito spoiler. Talvez isso me ajude a colocar as coisas mais em ordem dentro da cachola.
De um dia pro outro, quase que instantaneamente, as coisas mudaram, e eu não digo coisas no sentido de sei lá, eu deixei de falar com um amigo meu porque a gente discutiu por um problema de dois anos atrás e do nada a gente ficou com ódio um do outro, não, tudo mudou. As pessoas começaram a ficar encarceradas dentro de casa sem ter outra saída, se elas saíssem corriam um risco forte de serem contaminadas por um vírus que se alastrou por tudo quanto é canto do mundo, doidera. Quanto mais os dias passavam, as redes sociais eram bombardeadas por memes, notícias por cima de notícias, casos graves, mais memes, coisas engraçadas, histórias de superação, dicas do que fazer em casa nesse período de isolamento ou quarentena, relatos de como x pessoa estava lidando com sua nova rotina etc. O mundo virou de cabeça para baixo com a contaminação desse vírus que pegou todo mundo de "surpresa".
Dia 16 de março de 2020 eu estava na UFRN, voltando da aula de desenho em computador, indo pro RU após a notícia de que as aulas na universidade seriam canceladas por tempo indeterminado. Eu acho que na hora eu não digeri as informações por completo, foram sendo mastigadas bem devagar. Mas enfim, aqui já tinha dado início a um caos que na verdade mal tava começando. E como eu disse, a ficha em mim ainda não tinha caído, do quão séria a situ toda era, em quanto tempo as pessoas ainda iriam ficar dentro de casa em quarentena tendo que lidar com uma nova realidade de rotina, de pensamentos, realidade de ter que lidar com tudo, com pessoas, sentimentos, emoções.
E sair na rua começou a se tornar uma missão, missão em dobro mais do que era antes pra algumas pessoas. Missão porque em meio a toda essa pandemia, ainda existem pessoas que precisam enfrentar tudo pra poder conseguir se manter vivo, e eu digo literalmente vivo mesmo. As pessoas começam a ter que se adaptar pra conseguir se manter sã a medida que os dias se passam. As relações com tudo ao nosso redor tem uma quebra ABRUPTA e muita gente não sabe lidar com ela. E falar de relações na quarentena é uma coisa muito delicada, porque eu mesma nem sei direito como organizar tudo na minha cabeça pra poder começar a falar, porque eu continuo todos os dias pensando e fazendo mapas pra conseguir deixar tudo claro pra arrumar melhores "soluções pra saber lidar". Porque assim, ja ta todo mundo meio ferrado ate aqui, sejam as pessoas que precisam sair pra trabalhar pra poder pôr comida em casa, sejam as pessoas que estão em casa com a cabeça lotada de coisa sem saber lidar com nada: com as pessoas, com elas mesmas, com seu trabalho, com sua arte, com sua própria solidão. Eu não sei se existe fórmula pra saber enfrentar "bem" a quarentena e o peso de estar em um ambiento fechado toda hora (mas ainda lembrando que eu to falando do meu ponto de vista e vivência de pessoa que está vivendo a quarentena mesmo, dentro de casa, saindo só quando necessário, porque a gente sabe que essa realidade não é de maioria), sem poder ter um dia normal, uma conversa de boa, ver o sol, ir no mercado, voltar pra casa e comer um biscoito sem precisar lavar o saco, ir no bar, sair pra pensar nas merda na praia ou dar uma corrida, olhar os amigos. Tem dias que o tumulto na cabeça não para, tem dias que parece que to sabendo viver isso com sei lá, total sanidade, mas tem dias que é peso, a gente desaba, a gente chora, a gente revira um monte de coisa desnecessária de tempos que você nem lembrava mais existir. E com tanto pensamento armazenado e vindo à tona e com um tempo de sobra, a pessoa fica doidinha mesmo. E tudo isso em meio a um caos que a gente não tem ideia de quando vai terminar mas a gente tem plena certeza que vai demorar.
E eu fico pensando nesse cenário em que tudo isso chegou, em como esse período vai afetar todo mundo a ver o outro e a si de outro jeito, quando tudo acabar. É claro que possa ser que volte tudo a ser da mesma forma, que vai ter gente que vai cagar pra tudo e não vai levar um mínimo de aprendizado. Mas sei lá, é o universo falando com a gente, né, e é a gente falando com a gente também. Porque tipo, tem muita coisa ruim acontecendo, e
eu só queria poder ver todos os meus amigos e só ficar olhando pra eles e sentindo eles pertinho de mim, carne com carne, é muita merda e é bem mais difícil pra algumas pessoas do que pra outras, viu. Mas tem o lance do aprendizado que também é e pode ser real. Como eu disse, num sei nenhuma fórmula e nem sou de ficar dando um monte de dicas do que fazer na quarentena, mas cada um sabe o que faz cada um bem. Eu tento trazer todas essas coisas de bom que me deixam completa pra poder aprender mais sobre mim e sobre as pessoas ao meu redor. E agora a gente não tem muita escolha, é nós e nós.
Lidar consigo mesmo toda hora pode ser bem ruizinho às vezes, mas também é exatamente esse ruinzinho que faz a gente aprender muita coisa. Ninguém aprende nada sem levar um monte de pisão. Eu choro, eu escrevo, eu acordo no meio da madrugada com crise, eu fico lembrando de traumas da infância, eu rio sozinha, eu falo sozinha, eu danço, eu canto, eu procuro novas coisas pra me preencher. Eu nunca fiz terapia, a única vez que fui numa psicóloga, não consegui falar quase nada além do meu nome, não tive ajuda profissional, na adolescência, nem minha mãe nem meu pai chegavam pra mim explicando como as coisas são e funcionam, sem saberem responder minhas perguntas sobre as coisas que eu pensava do mundo e não entendia. Eu fui aprendendo com o que eu via acontecer, com a ajuda de muita gente que nem sabiam que estavam me ajudando. E nessa quarentena eu pude perceber ainda mais algo que eu ja vinha percebendo no último ano. Essa coisa de sentimento e lidar com as emoções é um lance bem complicado que deixa todo mundo doido, mas eu venho tentando saber lidar com isso de uma forma menos dolorosa e isso tem me ajudado nessa angústia que a pandemia tem criado. O R D E N A R. Eu sempre tive essa coisa impulsiva dentro de mim, com comida, com falas, com sentimento, com expressões, na minha arte, na forma de ouvir, com as emoções, com amigos, com o amor, com crush, com muita coisa mesmo, cair de cabeça, 8 ou 80. Isso pode ser muito bom sim mas tem vezes que caga tudo de uma forma bad. E eu continuo fazendo tudo isso kkkkkk. Mas quando eu aprendi a ordenar tudo na minha cabeça antes de formular conclusões sobre determinada coisa, eu senti que as coisas começaram a tomar uma leveza boa. A culpa e o aperreio ainda continuavam/continuam ali, de certa maneira, mas quando a gente sabe com o que ta lidando, com aquele problema, quando eu sei no que eu preciso melhorar, no que eu to errando, quando eu sei que aquele sentimento vai permanecer e eu não posso fazer absolutamente nada pra mudar, a cabeça começa a ficar menos pesada. E o problema ainda vai continuar ali, sabe, a angústia, mas quando eu olho pra eles, encaro e sei alguns caminhos, é bem mais fácil seguir o resto da estrada, mesmo com um montão de espinhos machucando os pés. É tipo quando a gente tem uma conversa pesada com um amigo muito querido, ele te joga várias na cara, você joga na dele, os dois choram muito, respiram, acabam a conversa, ficam mal, saem da sala e vai cada um pro canto sem querer se ver. No outro dia, os dois entendem que aquela conversa foi necessária mesmo que dolorosa, porque vocês dois são amigos, e numa amizade, é preciso ter sinceridade mesmo que ela doa. É como lidar com nós mesmo também, só que é uma conversa de si para si, seja de si criança para si adolescente/jovem/adulto/, ou de si jovem para si jovem, enfim etc., pode doer muito e tal, mas ela é necessária, porque é você, e você precisa ser sincero com si, antes de qualquer coisa, sempre, cuidar de si. E eu venho aprendendo isso, claro que às vezes é foda, que eu desabo forte, vem tudo de uma vez, tudo que é problema, e é foda, mas acontece. Mas é preciso olhar pros arranhões pra ter cicatrizes fortes. To aprendendo, eu escrevo essas coisas aqui, mas às vezes esqueço de fazer aquilo que escrevo, por isso eu escrevo, que é pra poder voltar aqui.
Provavelmente ainda vou escrever mais coisa sobre essa pandemia que tá mexendo com todo mundo de uma forma doida, mas por enquanto, é isso que me saiu. Ficar em casa, lavar as mãos e tentar ficar de boa com tudo isso.
De um dia pro outro, quase que instantaneamente, as coisas mudaram, e eu não digo coisas no sentido de sei lá, eu deixei de falar com um amigo meu porque a gente discutiu por um problema de dois anos atrás e do nada a gente ficou com ódio um do outro, não, tudo mudou. As pessoas começaram a ficar encarceradas dentro de casa sem ter outra saída, se elas saíssem corriam um risco forte de serem contaminadas por um vírus que se alastrou por tudo quanto é canto do mundo, doidera. Quanto mais os dias passavam, as redes sociais eram bombardeadas por memes, notícias por cima de notícias, casos graves, mais memes, coisas engraçadas, histórias de superação, dicas do que fazer em casa nesse período de isolamento ou quarentena, relatos de como x pessoa estava lidando com sua nova rotina etc. O mundo virou de cabeça para baixo com a contaminação desse vírus que pegou todo mundo de "surpresa".
Dia 16 de março de 2020 eu estava na UFRN, voltando da aula de desenho em computador, indo pro RU após a notícia de que as aulas na universidade seriam canceladas por tempo indeterminado. Eu acho que na hora eu não digeri as informações por completo, foram sendo mastigadas bem devagar. Mas enfim, aqui já tinha dado início a um caos que na verdade mal tava começando. E como eu disse, a ficha em mim ainda não tinha caído, do quão séria a situ toda era, em quanto tempo as pessoas ainda iriam ficar dentro de casa em quarentena tendo que lidar com uma nova realidade de rotina, de pensamentos, realidade de ter que lidar com tudo, com pessoas, sentimentos, emoções.
E sair na rua começou a se tornar uma missão, missão em dobro mais do que era antes pra algumas pessoas. Missão porque em meio a toda essa pandemia, ainda existem pessoas que precisam enfrentar tudo pra poder conseguir se manter vivo, e eu digo literalmente vivo mesmo. As pessoas começam a ter que se adaptar pra conseguir se manter sã a medida que os dias se passam. As relações com tudo ao nosso redor tem uma quebra ABRUPTA e muita gente não sabe lidar com ela. E falar de relações na quarentena é uma coisa muito delicada, porque eu mesma nem sei direito como organizar tudo na minha cabeça pra poder começar a falar, porque eu continuo todos os dias pensando e fazendo mapas pra conseguir deixar tudo claro pra arrumar melhores "soluções pra saber lidar". Porque assim, ja ta todo mundo meio ferrado ate aqui, sejam as pessoas que precisam sair pra trabalhar pra poder pôr comida em casa, sejam as pessoas que estão em casa com a cabeça lotada de coisa sem saber lidar com nada: com as pessoas, com elas mesmas, com seu trabalho, com sua arte, com sua própria solidão. Eu não sei se existe fórmula pra saber enfrentar "bem" a quarentena e o peso de estar em um ambiento fechado toda hora (mas ainda lembrando que eu to falando do meu ponto de vista e vivência de pessoa que está vivendo a quarentena mesmo, dentro de casa, saindo só quando necessário, porque a gente sabe que essa realidade não é de maioria), sem poder ter um dia normal, uma conversa de boa, ver o sol, ir no mercado, voltar pra casa e comer um biscoito sem precisar lavar o saco, ir no bar, sair pra pensar nas merda na praia ou dar uma corrida, olhar os amigos. Tem dias que o tumulto na cabeça não para, tem dias que parece que to sabendo viver isso com sei lá, total sanidade, mas tem dias que é peso, a gente desaba, a gente chora, a gente revira um monte de coisa desnecessária de tempos que você nem lembrava mais existir. E com tanto pensamento armazenado e vindo à tona e com um tempo de sobra, a pessoa fica doidinha mesmo. E tudo isso em meio a um caos que a gente não tem ideia de quando vai terminar mas a gente tem plena certeza que vai demorar.
E eu fico pensando nesse cenário em que tudo isso chegou, em como esse período vai afetar todo mundo a ver o outro e a si de outro jeito, quando tudo acabar. É claro que possa ser que volte tudo a ser da mesma forma, que vai ter gente que vai cagar pra tudo e não vai levar um mínimo de aprendizado. Mas sei lá, é o universo falando com a gente, né, e é a gente falando com a gente também. Porque tipo, tem muita coisa ruim acontecendo, e
eu só queria poder ver todos os meus amigos e só ficar olhando pra eles e sentindo eles pertinho de mim, carne com carne, é muita merda e é bem mais difícil pra algumas pessoas do que pra outras, viu. Mas tem o lance do aprendizado que também é e pode ser real. Como eu disse, num sei nenhuma fórmula e nem sou de ficar dando um monte de dicas do que fazer na quarentena, mas cada um sabe o que faz cada um bem. Eu tento trazer todas essas coisas de bom que me deixam completa pra poder aprender mais sobre mim e sobre as pessoas ao meu redor. E agora a gente não tem muita escolha, é nós e nós.
Lidar consigo mesmo toda hora pode ser bem ruizinho às vezes, mas também é exatamente esse ruinzinho que faz a gente aprender muita coisa. Ninguém aprende nada sem levar um monte de pisão. Eu choro, eu escrevo, eu acordo no meio da madrugada com crise, eu fico lembrando de traumas da infância, eu rio sozinha, eu falo sozinha, eu danço, eu canto, eu procuro novas coisas pra me preencher. Eu nunca fiz terapia, a única vez que fui numa psicóloga, não consegui falar quase nada além do meu nome, não tive ajuda profissional, na adolescência, nem minha mãe nem meu pai chegavam pra mim explicando como as coisas são e funcionam, sem saberem responder minhas perguntas sobre as coisas que eu pensava do mundo e não entendia. Eu fui aprendendo com o que eu via acontecer, com a ajuda de muita gente que nem sabiam que estavam me ajudando. E nessa quarentena eu pude perceber ainda mais algo que eu ja vinha percebendo no último ano. Essa coisa de sentimento e lidar com as emoções é um lance bem complicado que deixa todo mundo doido, mas eu venho tentando saber lidar com isso de uma forma menos dolorosa e isso tem me ajudado nessa angústia que a pandemia tem criado. O R D E N A R. Eu sempre tive essa coisa impulsiva dentro de mim, com comida, com falas, com sentimento, com expressões, na minha arte, na forma de ouvir, com as emoções, com amigos, com o amor, com crush, com muita coisa mesmo, cair de cabeça, 8 ou 80. Isso pode ser muito bom sim mas tem vezes que caga tudo de uma forma bad. E eu continuo fazendo tudo isso kkkkkk. Mas quando eu aprendi a ordenar tudo na minha cabeça antes de formular conclusões sobre determinada coisa, eu senti que as coisas começaram a tomar uma leveza boa. A culpa e o aperreio ainda continuavam/continuam ali, de certa maneira, mas quando a gente sabe com o que ta lidando, com aquele problema, quando eu sei no que eu preciso melhorar, no que eu to errando, quando eu sei que aquele sentimento vai permanecer e eu não posso fazer absolutamente nada pra mudar, a cabeça começa a ficar menos pesada. E o problema ainda vai continuar ali, sabe, a angústia, mas quando eu olho pra eles, encaro e sei alguns caminhos, é bem mais fácil seguir o resto da estrada, mesmo com um montão de espinhos machucando os pés. É tipo quando a gente tem uma conversa pesada com um amigo muito querido, ele te joga várias na cara, você joga na dele, os dois choram muito, respiram, acabam a conversa, ficam mal, saem da sala e vai cada um pro canto sem querer se ver. No outro dia, os dois entendem que aquela conversa foi necessária mesmo que dolorosa, porque vocês dois são amigos, e numa amizade, é preciso ter sinceridade mesmo que ela doa. É como lidar com nós mesmo também, só que é uma conversa de si para si, seja de si criança para si adolescente/jovem/adulto/, ou de si jovem para si jovem, enfim etc., pode doer muito e tal, mas ela é necessária, porque é você, e você precisa ser sincero com si, antes de qualquer coisa, sempre, cuidar de si. E eu venho aprendendo isso, claro que às vezes é foda, que eu desabo forte, vem tudo de uma vez, tudo que é problema, e é foda, mas acontece. Mas é preciso olhar pros arranhões pra ter cicatrizes fortes. To aprendendo, eu escrevo essas coisas aqui, mas às vezes esqueço de fazer aquilo que escrevo, por isso eu escrevo, que é pra poder voltar aqui.
Provavelmente ainda vou escrever mais coisa sobre essa pandemia que tá mexendo com todo mundo de uma forma doida, mas por enquanto, é isso que me saiu. Ficar em casa, lavar as mãos e tentar ficar de boa com tudo isso.
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