Postagens

CHEIO-VAZIO

Esse vazio não tem quem preencha não tem flor que o                 floresça. Ele vem de dentro, do submundo onde o rio faz foz com uma tristeza sem meio nem fim. Tristeza bonita. E dor... Não existe dor bonita "Nenhuma dor é bonita, Madu" E eu sei, cada um a preenche com o seu jardim. E o vazio... não tem quem o preencha. Vazio já esquecido no meio do texto. Desculpe-me caro leitor pela incompreensão, desculpe-me pelo final desse vazio, que me fugiu e foi se auto preencher.

VÃO

Eu tenho um vão que na penumbra da noite consola-me todos os pesares. Que vão é esse que quanto mais apertado mais a solidão afrouxa? E no chão frio eu deito. Pele e sujeira. Vou ao encontro do chão sujo e molhado. Eu tenho uma dor escondida que nem revelo a mim, é uma dor sem rosto, nem voz, uma dor que não se manifesta mas corrói todo o meu corpo. Como um cupim esfomeado - será uma antítese? E essa dor, corrói o vão, as paredes e o chão. Mas que vão será este que quanto menor mais a dor se apodera da alma? Vão sem nome, nem alma.
Poesia a mil. Sou duas sou três sou pó. Sou PÓesia a mil.

AS TONTAS NUM QUINTAL UTÓPICO

Na área da dona Sônia eu me espreguiço. Me espreguiço na área da dona Sônia. O dia-sol queimando o chão reluzindo sombras de mato O galo já cantou a música dos solitários, o gato já bebeu o leite dos caóticos, as flores já se banharam de glória, a chuva não apareceu para a festança, o bendito do periquito grita feito o ontem  O carteiro ainda não passou, o moço do picolé se derreteu,  Ei compadre! Volta aqui com esse picolé que o calor tomou conta do frio, tomou as contas que eu não tenho. A casa cheia de contas. Não se preocupa mãe, eu te pago um picolé. Me espreguiço na área da dona Sônia. Na área da dona Sônia eu me espreguiço. Me espreguiço desta preguiça inventada, esta solidão corporizada pelo corpo, pelos olhos, pela carne, sobre a pele. E eu as tontas no quintal utópico
Nesse fragmento de "só" que nem a solidão me tem.

50 ALMAS

tenho em mim todas as ruas e becos lotados de putas e esperma, tenho em mim todos os bares e orgasmos, tenho em mim toda beleza escondida, tenho em mim toda feiura esclarecida. tenho em mim todos os poetas e bêbados, tenho em mim o trânsito e engarrafamento de mentes exaustas. guardo toda solidão que encontro, acolho todos os medos, levo comigo todo o vazio de uma festa, Faço festa. sou uma festa. sou todas as árvores sou um caule, adoro todas as coisas. eu tenho mais de 50 almas e eu tenho mais de 50 bocas.

DESESPERO

Esse grito não audível dos famintos por liberdade, sufocados por uma caixa preta. Essa ânsia louca de solitários por paredes falantes e tetos cantantes. Esse dialogar sem rumo, diálogos sem rumo, teia, ouvintes no meio da teia. Ouvidos de surdos e bocas de cigarras.