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MARIAS

Eu tenho um muro que abrange as miudezas que as mulheres carregam. Eu tenho um corpo que veste a dor bordada de minha mãe e cabelos carregados de fios embaralhados de sangue angústia temor. Eu tenho um grito fincado nos becos desertos de minha garganta e cicatrizes surradas de pesar. Eu tenho um filho único assassinado por uma liberdade oprimida e um socorro engasgado na língua. Eu tenho. Eu sou. Eu sou a mulher que madruga  à procura de uma lavanderia para enxugar suas lamentações e lavar a angústia que é ter que existir. Eu sou o samba engastalhado nos calos cotidianos e sou o cansaço das mãos maternas. Eu sou a beleza no sorriso do empoderamento feminino e sou a fala da mulher que clama por glória. Eu sou a multiplicidade e a verdade, a igualdade e autonomia. Sou o verde do florir e o azul do voar. Sou a Maria, Maria cotidiana e caótica, sou Maria trabalhadora e a Maria da luta.

POEMA AZUL

É de uma distância azul que  eu desconheço. É um desenho utópico que eu faço e desfaço. Ele é um laço. 

POEMA DO BARRO

eu tenho gosto por desembaraços e converso desajustes. eu pinto árvores nos becos da avenida 09 e carrego o gosto das abelhas. a minha dor veste a roupa dos insetos e cheira a água morna. e u gosto de ter visão de peixes.

PERDIDA

Eu procuro tuas andanças, tua agonia e divago no teu balão interior.

CARTA PARA ERIKA

Eu te amo tanto. Eu te amo todos os dias. Se eu acordo é te amando e durmo amando. Eu queria te apresentar a você, queria que você se encantasse com o lirismo bordado em tua pele. O teu rosto guarda um pesar de infância, o pesar longe, o pesar de não ter o abraço paterno neste dia tão radiante, meu amor. Eu queria te escrever todos os poemas que existem em minha garganta, eu me esforço. Eu te amo. Eu amo tua boca de café, amo teus olhos musicais, amo tua cor amarela sol branca nuvem azul céu. Eu amo teus joelhos nem tão aceitos por ti, amo o ninho que as tuas bochechas escodem e amo os pombos que rodeiam a tua cabeça que voa voa voa. Das tuas mãos, eu sei. Sei do teu cansaço e da agonia em não saber. Eu te amo por saber que o teu partir nunca virá. As janelas e portas mostram-me a conversa do tempo, o tempo que nunca chegará para nós porque somos os ponteiros que tic tac tic tac somos os ponteiros das ruas e das danças e cantigas. Porque esse tempo é infindo,...

EXPOR

Não há disfarce em minha solidão! Ela é totalmente nua para os meus eus interiores.

PORMA N° 2

O peso do sonhar afeta o cansaço que é a realidade. o real me atinge como um sonho. Acordo distante de mim.