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3h10

na noite tudo é verdadeiro e eterno. é quando os bichos cantam a sinfonia pros insones e os bares esperam poetas falidos em busca de esclarecimento em goles desesperados de cerveja. a noite é uma grande festa, onde os deuses se embebedam e gozam sob um céu estrelado e negro.
a inspiração chega tão de repente que mal pode-se pensar, o que resta a fazer é criá-la e dar a devida forma, antes que fuja de seus dedos em busca de outro sonhador.
os dias parecem escorrer pelo meu corpo e eu ainda procuro encontrar uma forma de decifrar as tuas múltiplas faces escondidas no teu olhar camuflado em          ansiedade e medo. a imensidão dos desejos me levam a pertubação de não saber o que fazer das tuas dúvidas - minha insegurança só serve para prender ainda mais os nós que apertam e apertam minha angústia, espremendo gotas de sangue pulmonar. eu guardo tua eternidade e derrubo meus muros para fazer caber em mim tua sensibilidade e tua matéria, descanso minhas mãos nas tuas buscando teus poros e teus segredos. quando percebo, já estou à deriva.
a poesia te agarra pelos punhos e devora tuas vísceras.

I'm killing myself

o meu corpo é uma prisão que me oprime todos os dias, é um moinho que corrói a minha epiderme, dilacerando a alma e o psicológico. diante do espelho quebrado eu me vejo em arranhões e cortes, espelho do meu eu que me dói em todos os membros e ângulos. eu não sei lidar com essa mudança fugaz, o que me faz cair no abismo de padrões superficiais que desgastam o meu lirismo e minha poesia interna. ao encarar esse horizonte no olhar, choro e grito: há um indivíduo que me pede ajuda e eu o dilacero com dez mil socos de mentiras.
você precisa entender o meu desastre.

cinema

interpretando o espetáculo da vida em roteiros líquidos e banais.