não dá pra isolar a solidão de uma parte do corpo, é como um câncer que se apodera de todo o seu organismo. ela emana tudo. e dói.
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aquarela racial
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preto. branco. amarelo. do que importa tua raça se teu sangue é vermelho? nele reluz tudo o que tu poderás ser e aquilo que tu te transformarás. a obra de arte que é o ser humano ultrapassa os limites do preconceito. faz do teu conceito teu lar e vive a raça que emerge no teu ser. engrandece no teu peito a voraz essência que é se deixar descobrir nesse mundo multicor.
para você que tem um grito no olhar
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você é lindo. é lindo como o azul que mora em ti. mas o tempo leva tudo. e esse tempo que te levou pra longe foi suficiente para criar um pedaço de ti em meu eu. parece exagero. mas somos um exagero num mundo corrido, num mundo de pessoas ligeiras onde tudo se aglomera. ao estar perto de ti e ao sentir aquela ausência que doeu, eu percebi o quão vulnerável sou a detalhes. e essa coisa que eu tenho, que a gente tem em despejar a solidão num outro ser, é corrosiva e cansa. tu foi bonito em mim mas se foi. e eu sorrio ao lembrar da tua pele na minha.
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é cansativo sentir muito num mundo de pessoas rasas. quando eu olho o mar, eu sinto o mar, eu vivo as ondas e respiro a areia. se eu te beijo e toco tua pele, nela eu me fragmento e me sinto viva por um milésimo de tempo que eu tenho e guardo para você. mas esse vazio, esse vazio que eu sinto nas coisas e que é tateável, ele desdobra tudo o que há de bonito e intenso que eu crio. eu fecho os olhos e sinto esse vestígio se esvaziando do meu peito; eu choro. sinto a água sobre minhas mãos e não é possível conter o tempo que vai, o tempo que leva o mar de mim; que vai te levar de mim. eu sinto tanto que meu corpo já não consegue me conter.