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a persistência da memória

quando eu olho pra trás e lembro de mim, em como eu era, eu sinto uma dor que não é explicável. dor de não poder amparar a solidão e tristeza que me preenchia, dor de não poder mais acolher aquele ser tão ingênuo e puro que sonhava em demasiado e sentia tanta sensibilidade e sentia tanto, por tudo. eu sinto muito por não ter feito o bastante por ti, por mim. e hoje eu beiro à uma idade que tudo é tão rápido, as pessoas, as coisas, os pensamentos e emoções que qualquer sentimento que eu encontro eu o acolho como se estivesse acolhendo a mim mesma. eu me resgato nos outros sem receber nada além de um adeus. eu me procuro nos lugares e esqueço de olhar além de mim. .
eu já não consigo me ajudar mais.
há um medo dentro da gente que corrompe tudo.
são tempos difíceis para os que sentem demais.
como o cineasta claude miller um dia falou: "eu filmo porque quero ser amado", acho que escrevo porque quero ser amada também, mas ao contrário do miller, quero ser amada por mim mesma, não só pelos que me leem. 
a dor é apenas um cisco nos olhos da vida. arde e vai embora.
viver em desalinho e amar a intensidade dos amores efêmeros. sentir a solidão das noites amargas em que o vento é um acorde passional. se encolher sozinha à noite com um peso que é só teu. e assim, amanhecer para mais um bater de pálpebras.