tudo é gigante dentro da gente
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19 de dezembro, quarta-feira, eu to em casa. vi você, to em casa. peguei o }^nibus, to em casa. nunca te encontrar foi tão dificil, nem no começo, quando parecia que eu ia dissipar de tão trêmulo que meu corpo ficava em ânsia pelo toque novo e curioso. cheguei em casa, e não hã lugar em que você ainda não permaneça. dói, dói demais. e eu sinto essa dor, porque sou mais viva e assim também lembro de ti. andei pelas ruas, ando pelas ruas, ei de andar pelas ruas e tuas coisas vão estar em todo canto, e dói. meu bem, quantas dores é possível carregar em um ser? te vi hoje, e agora só consigo sentir a dor. ela vai passar, vai embora na multidão, na multidão que eu encontro por aí. mas agora, eu quero senti-la, porque agora ela dói. tua falta faz falta e dói. vai doer e vou deixar.
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te sentir distante de mim, ver teu olhar alheio a mim fez com que esses dias pesassem pra nós. ao mesmo tempo te ver sorrir, te ver trabalhar me deixou tão bem. confesso, minha carência, o peso dos dias, o peso das coisas que tem sido difíceis de carregar, às vezes falam mais alto e eu vejo, sinto, falo coisas. coisas demais. te machuco? me machuco? eu só queria um abraço bom e forte. o teu abraço bom. então eu volto pra casa, com tanta coisa na cabeça. volto pra casa e levo chuva na cabeça, enquanto ando na rua sinto a chuva e penso. a gente precisa conversar, como somos e fazemos, e amanhecer, porque sempre raia. e as coisas vão colorindo aos poucos.
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eu não posso, eu simplesmente não posso parar de fazer e sentir arte. se um dia isso ocorrer, eu morro, viro só um pedaço de carne insossa. e não é drama. é arte. é o que a arte faz comigo. era madrugada do dia 13 de dezembro, eu estava em casa, um dia antes da viagem, um dia antes da minha exposição que eu ansiava tanto. era madrugada, eu soluçava de choro, de crise, de redemoinhos internos e minha cabeça não parava. ansiedade. eu soluçava e permanecia a produzir pro dia 14, porque isso me mantém viva, fazer minha arte me conserva. em meio aos cortes de papel, em meios aos desenhos e em meio a minha poesia, lágrimas escorriam sem freio. mas a arte é antídoto e ela salva. não pare, nunca pare. a arte salva e cura. 15.12.2018