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essa dor ainda vai perdurar muito
hoje eu vi o moço que vende rosas em frente ao natal shopping. aquela rosa que eu te dei e com ela entreguei uma angústia que já vinha me corroendo há dias. me deparo com o medo de frente, medo que eu senti ao te entregar aquela rosa, como se com ela eu previsse uma ida que tava tão escancarada. anseios disfarçados em pétalas que viriam a cair, murchar e se perder.
eu sinto falta daquela cicatriz na tua boca e dos detalhes que você gosta.
eu quero explodir, explodir em mil pedaços diferentes de mim mesma e me encontrar nas formas abstratas da minha própria alma. eu quero gritar minha garganta inteira e me fazer vida nisso tudo.

eu me derramo

o peso das minhas costas me afetam e me dói como uma carga que leva toneladas em um caminhão de frete com destino longe. eu queria poder levar a serenidade nos meus olhos como antes, mas eu transbordo neles um mundo e sou miúda demais tentando me caber. eu encharco. meu choro ainda é ameno, minhas pálpebras pedem um socorro distante e eu ainda me jogo num mar cada vez mais fundo e azul; sou rasa e vazo, sinto tanto medo de me afogar, mas adentro nele como uma criança buscando conhecer a maré. sou fragilidade e meu peito é terreno baldio.
eu te desejo mil abraços. e um dia de mar inteiramente teu. eu te desejo calor.
às vezes é preciso que arda, para nos fazer sentir mais vida.