eu me derramo

o peso das minhas costas me afetam e me dói como uma
carga que leva toneladas em um caminhão de frete com destino longe.
eu queria poder levar a serenidade nos meus olhos como antes,
mas eu transbordo neles um mundo e
sou miúda demais tentando me caber. eu encharco.
meu choro ainda é ameno,
minhas pálpebras pedem um socorro distante e
eu ainda me jogo num mar cada vez mais fundo e azul;
sou rasa e vazo,
sinto tanto medo de me afogar, mas adentro nele como uma criança
buscando conhecer a maré.
sou fragilidade
e meu peito é terreno baldio.

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