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dor forte. recordação

eu percebo o quanto você faz falta, vó. todo dia, toda semente, toda raiz. eu sinto falta do teu sorriso me esperando, me vendo chegar pra te dar um abraço. na área daquela casa, naquela cadeira de balanço que o som ainda ecoa aqui dentro. e tu ainda é música boa que ecoa longe.
eu tenho mania de me atracar muito às coisas. mesmo quando eu to de boa, quando eu to bem. amorosamente falando sabe, porra. solidão? talvez. mas eu gosto do momento e quero que ele fique ali, gosto do apego, gosto realmente da atenção, do calor que eu crio antecipadamente, das coisa que eu imagino e que são quentes. porque eu sou toda fogo. mas eu gosto. e às vezes eu fico assim, querendo mais, me apegando e querendo as coisa. me atracando nelas, como um navio no seu lugar. mas dá certo, eu volto ás ordens, boto minha cabeça nos canto. da certo. mas também né, o vinho faz descer as coisas com mais força e com mais intensidade.
cultivar a raiz de humildade
não sei lidar com essa tal da indiferença.

para você que faz falta e que ainda floresce aqui dentro

não gosto de me arrepender de coisas não ditas ou feitas. mas penso naquele ano e se eu pudesse voltar, voltaria, não deixaria aquela casa, não deixaria de deixar de ouvir seu boa noite todos os dias. pesa isso. pesa a perda. pesa a saudade, pesa a falta que teu cheiro faz. dói a falta de dormir ao teu lado ouvindo sua respiração. cresci e ainda consigo ver seus passos na rua, no verde do capim e nas flores perdidas. o mundo pesa, vó, pesa demais. te sinto aqui no meu peito e lembro da sua risada ao me ver chegando na rua, ao me ver falando das coisas banais que eu trazia para você sobre o meu dia. lembrar das suas mãos me faz bem, dos seus joelhos, dos seus pés que se banhavam em água quente antes de dormir. tenho uma fotografia sua no jardim plantada na minha alma terrena. ainda dói, mas a dor é suportável ao lembrar que cresci graças a sua vida, graças a seus anos que foram doloridos, anos que trouxeram muita vida pra muita gente e pra esse mundo. você foi um mar que banhou corpos q...
gosto de como esses anseios de escrita chegam até mim, sem pedir licença sai atropelando tudo o que ta me tomando no momento. se achegue assim que me faz mais viva.
tentando entender e me encaixando nesse fluxo contínuo de corres e fôlegos e ideias novas e rotinas novas e um eu em constante mudança a cada minuto a cada segundo a cada nova sabedoria e novo conhecer e esbarrar com outras pessoas e novos lugares que caminho e encontro, em cada cena que revejo e revisito em mim mesma e nos outros e em mil universos paralelos e conectados que existem e que se fazem.