hoje é uma madrugada que antecede um domingo. a porra de mais uma madrugada fria e escura e eu to aqui sozinha. sentada e ouvindo a vida silenciada e gritando lá fora com a rodovia. eu sinto sua falta, sinto a todo minuto e ela dói. dói sentir tanto como se eu fosse virar uma bolha de água enorme pra quando chegar lá bem distante no céu, explodir em mil gotinhas como uma chuva. eu sinto sua falta e hoje eu passei o dia aqui, nesse quarto que mal cabia nós duas, e eu senti sua falta. eu converso com as pessoas, ouço, as olho e tudo parece estar ok, elas dizem, eu digo e a vida segue. porque as coisas são assim e a gente se machuca com elas. às vezes sem saber o porquê e como, mas é assim mesmo e vai continuar acontecendo. eu to aqui e sinto sua falta. vai melhorar com o tempo, porque a madrugada acaba e o sol chega logo e eu te imagino, te sinto e ainda te vejo com um sorriso de explodir tudo. eu sinto sua falta e queria que as coisas fossem mais serenas como eram quando você me empurrou naquele carrinho de supermercado no estacionamento. você mal sabia mas naquela noite eu podia sentir meu coração correndo contra o meu corpo, em movimentos dançantes que me deixavam eufórica. eu sinto sua falta e aquela merda de culpa que a gente sente, que eu nem entendo direito o que é essa culpa e esse vício de se autossabotar, ela chega e parece devorar minhas tripas. e pesa, pesa a saudade, ânsia e o tempo que não volta mais. eu sinto sua falta e eu a sinto agora, como uma pessoa que adormece ao meu lado e vai embora pela manhã.

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