eu ainda sinto ânsia quando vejo sua foto perdida nas redes sociais, não que isso seja algo ruim, porque você não o é e nunca foi. eu não sei direito o que é, porque ainda to digerindo e mastigando as coisas aos poucos; eu to aprendendo. olha, eu te vi ontem no meio das luzes vermelhas, laranjas, verdes e amarelas, no meio do calor que mora na ribeira, e eu não sei o que foi aquilo, foram variações de sentimentos fortes que socaram meu estômago. saudade, calor, alegria, ânsia de grito, tremor, sorriso, afeto. eu te vi ali no meio daquelas artes, no meio de pinturas abstratas e palavras e fotografias e danças e rostos e urgência. no meio de uma música que eu não sabia discernir direito, igual tudo isso aqui dentro. e eu fico martelando minha cabeça no meio das coisas boas que o vento trouxe com você, junto de você e isso é bom, eu sei que é. mas eu não sei, e é por isso, porque o teu fragmento ainda arde em mim e no fundo eu só sou mais uma contradição tentado ficar em paz comigo mesma, tentando deixar ir e abrir os olhos realmente e ver uma luz que espera brilhar cada vez mais. porque eu to aprendendo, de verdade. não sei, eu acho que essa sabotagem é algo que carrego pra tentar suportar isso. por isso eu ainda não sei ao certo e isso ainda dói nos pedaços que você deixou aqui comigo.
SOCORRO
A poesia não reclama. Ela está gritando. As palavras brigam com o inconsciente. falta papel, falta poeta. Procura-se uma poeta de escrivaninha.
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