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SOCORRO

A poesia não reclama. Ela está gritando. As palavras brigam com o inconsciente. falta papel, falta poeta. Procura-se uma poeta de escrivaninha.
Eu sofro de insônia sentimental.

FIOS E CABOS

Neste edifício a chuva não cessa, o sonho é um retrato que não me veste. A utopia está escassa, faltando qualquer coisa. Neste edifício as janelas não cabem a paisagem, os olhares não cabem a paisagem. É tudo sombra, real. A realidade me foge, tornando-se sombra aniquilada.

DEIXEI MEU SILÊNCIO ECOAR PELOS BECOS

Essa gente toda gritando suas pupilas, dançando caras perdidas sob um céu em cores amordaçadas, essa gente cantando uma dança sem tempo... Pernas, braços, bocas. É tudo muito rápido, o meu silêncio é muito turvo, o odor é muito fútil. Um emaranhado de egos enforcados em seus próprios pulmões cinzas. Câncer social.

VAGO

Eu não quero ter. Ser, ser, ser. Eu tenho um medo que não cabe, medo de não ser inteira. Tenho vestígios de escândalos em minha pele. Escândalos silenciados. O desespero cabe em um metro quadrado?

FEMME QUI DORT

Você acorda. devido a luz que passa pela janela. Você já não usa despertador. Você abre os olhos, você não se levanta, você permanece deitada. Você permanece. imóvel. Você olha o chão, os livros que não leu, os filmes que não viu, o espelho vermelho, o par de meias pendurados na janela, pingando. Você acorda. você levanta, caminha, sem sentir. Você ferve o leite. Em uma caneca, despeja o leite com um pouco de nescafé e açúcar. Mas você não sente fome. você vai pro banheiro, tão pequeno que mal cabem suas pernas. Você permanece embaixo do chuveiro, sem ligar, você não se banha. Apenas escova os dentes. Você organiza suas roupas, meias e sapatos, minuciosamente, observando as cores. A organização não te afeta. Você se deixa observar, a televisão, desligada, refletindo seu rosto, você é indiferente à beleza, à feiura, a seu rosto, mãos. Você se deixa observar, o relógio, pequeno como o tempo. Você se deixa observar, as fotografias de seus pais, pendur...

PIGEONS

Eu percebi que tua urgência me afeta. São 02:42, eu ouço o esquadrão dos pombos suicidas e o escorrer da chuva. Teus caos não tem ordem, teu corpo é desorganizado. Tua alma dilacera tua carne e sangra. Eu queria fotografar teu silêncio e descansar em teu fardo. Eu queria viver em tua metamorfose de ser, tua metamorfose de existir. É puro. É sereno.