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cansaço batendo na porta da realidade.
eu escrevo com o que tenho, algo fragmentado em meu ser com um aglomerado de sentimentos abafados. um corte de sensibilidade capturado na emoção do momento. um lampejo de surto com a claridade do amar. uma fuga do real beirando à insanidade.
do que me sobrou resta esse corpo materializado na essência   do vivo vivo no transtorno do agora transcendendo a lucidez derrapando na insensatez.
o acaso é o destino que coube a mim.

exílio

a culpa que eu sinto cabe o mundo. o medo que eu tenho de ser algo me sobrepõe a um                             estado de inutilidade e fragilidade, deixando meu eu a mercê do caos existencial. o que me mata é a sensibilidade arrastada pelo corpo fraco. eu sinto em demasia e não quero enxergar, esse sentir me deixa mais sozinha do que nunca.

para beatriz

hoje choveu, beatriz. e eu só consigo lembrar de tua chuva morna e quente deslizando pela tua face tão distante de meu toque, apesar de estarmos 2 centímetros perto uma da outra. mas você nunca esteve presente. "o presente é só questão de se deixar sonhar e imaginar", você falou. mas o sonhar é muito distante e o que você nunca quis entender é que o teu estar presente em mim é incurável. tudo o que resta de ti são aqueles brincos enferrujados que você nunca ousava largar e que me furam as lembranças até a última lágrima de saudade. são essas lágrimas que tem o poder de amenizar a seca que paira sob meu sertão carnal e que me afogam o adeus teu. ana.

lonely

essa lágrima que cai, quente e distante, escorre com o tempo, ela pesa falta, escassa do real e concreto, do intenso. se derrama pelas coisas efêmeras que brilham muito e apagam cedo. o pesar das superficialidades se desdobra numa lágrima no rosto do agora. e o agora amanhece só.