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para você que tem um grito no olhar

você é lindo. é lindo como o azul que mora em ti.    mas o tempo leva tudo. e esse tempo que te levou pra longe foi suficiente para criar um pedaço de ti em meu eu. parece exagero. mas somos um exagero num mundo corrido,                  num mundo de pessoas ligeiras onde tudo se aglomera. ao estar perto de ti e ao sentir aquela ausência que doeu, eu percebi o quão vulnerável sou a detalhes. e essa coisa que eu tenho, que a gente tem em despejar a solidão num outro ser, é corrosiva e cansa. tu foi bonito em mim mas se foi. e eu sorrio ao lembrar da tua pele na minha.
é cansativo sentir muito num mundo de pessoas rasas. quando eu olho o mar, eu sinto o mar, eu vivo as ondas e respiro a areia.  se eu te beijo e toco tua pele, nela eu me fragmento e me sinto viva por um milésimo de tempo que eu tenho e guardo para você.  mas esse vazio,  esse vazio que eu sinto nas coisas e que é tateável,  ele desdobra tudo o que há de bonito e intenso que eu crio.  eu fecho os olhos e sinto esse vestígio se esvaziando do meu peito; eu choro.  sinto a água sobre minhas mãos e não é possível conter o tempo que vai, o tempo que leva o mar de mim; que vai te levar de mim.  eu sinto tanto que meu corpo já não consegue me conter. 
cansaço batendo na porta da realidade.
eu escrevo com o que tenho, algo fragmentado em meu ser com um aglomerado de sentimentos abafados. um corte de sensibilidade capturado na emoção do momento. um lampejo de surto com a claridade do amar. uma fuga do real beirando à insanidade.
do que me sobrou resta esse corpo materializado na essência   do vivo vivo no transtorno do agora transcendendo a lucidez derrapando na insensatez.
o acaso é o destino que coube a mim.

exílio

a culpa que eu sinto cabe o mundo. o medo que eu tenho de ser algo me sobrepõe a um                             estado de inutilidade e fragilidade, deixando meu eu a mercê do caos existencial. o que me mata é a sensibilidade arrastada pelo corpo fraco. eu sinto em demasia e não quero enxergar, esse sentir me deixa mais sozinha do que nunca.