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reconhecer o outro, a diferença. nenhuma dor diminui a outra.
não se deixar enganar pelo egoísmo. não se deixar enganar pelo egoísmo. não se deixar enganar pelo egoísmo. não se deixar enganar pelo egoísmo. não se deixar enganar pelo egoísmo.
arte por transformação.

aprender e se doar

gosto de me externar e me deixar escorrer com o apoio da caneta. sinto dores carregadas de uma menina que sentava no batente de casa esperando a mãe terminar de arrumar e varrer os quartos de hotéis, esperando um abraço cansado,  coberto de carinho e ternura. mas hoje olho meu reflexo e ele não causa tanto estranhamento, e não tem a mesma dor. nesse espelho abstrato eu enxergo o olhar cru e nu de poesia e raízes que venho construindo aos poucos. o reflexo não tem a mesma agonia de antes e meu corpo não corre pra se esconder atrás de muros. to fazendo pulsar isso tudo, gritando e rompendo nós, andando e me encontrando nesse mundo de sobrevivência e incertezas.
externar e pulsar. deixar ser.
é doloroso se acostumar com o mundo depois que você deixou ele
é preciso saber olhar o passado, sentir a raiz do que hoje brota em si. como uma planta, somos vida de uma semente pequenina que nasceu de solo forte.  é preciso olhar pras mãos e rugas que hoje abraçam, que um dia foram jovens e secas,  que sofreram e carregaram um peso nas costas pra te vestir uma peça de roupa e te dar de comer. a represa daquele rio sem fim segue forte, os sons que saem dali continuam graves e as padarias continuam lotadas às 5 horas da manhã numa avenida barulhenta. aquela rua mudou mas continua guardando um jardim no pé da calçada que coloria muita coisa e que tentava esconder traumas que hoje insistem em acordar. voltar é importante. cuidar de quem e do que te cuidou e seguir sem esquecer do quintal que te fez ser gente. 11/06/2019