JANELA INVISÍVEL
Na casa onde morei
havia bananeiras
e risos.
Na casa onde morei,
a tensão pairava nas paredes.
Na casa onde morei,
as janelas serviam de retrato.
Na casa onde morei a ausência
tomava forma.
Na casa onde morei os desenhos
escondiam-se em baús.
Na casa onde morei existiu um quintal redondo.
Na casa onde moro a saudade perdura-se em álbuns e pinturas.
Na infância em que morei o jardim
espantava os fantasmas
e transformava lágrimas em chuva.
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