JARDIM LÍRICO


Sou desses seres que se fantasiam grama,
sou dos seres que se ditam formigas,
faço parte dos seres que se imaginam peixes.
Sou desses passos que ninguém repara.
Sou.
Sou aqueles domingos poéticos e vazios. 
Sou a dor agonizante que não tem socorro. 
Sou aquela metrópole onde as solidões sambam com o ritmo da multidão. 
Sou os gritos famintos por misericórdia. 
Eu sou o lirismo escondido no bolso do peito. 


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